A invisibilidade da falta de água no povoado segredo, escreve professor

A invisibilidade da falta de água no povoado segredo, escreve professor
abril 13 05:46 2020 Imprimir Conteúdo

A água é um dos elementos naturais essenciais ao ser humano. Isso é fato! Mas como sobreviver sem ela? Moradores do Povoado Segredo, Aquidabã-SE, vivem esse dilema há vários anos e quando chegam as estações verão e outono a situação se complica.
Na comunidade há a encanação para o abastecimento via DESO, porém os canos passaram a ser apenas decorativos. Algumas famílias já abriram processo contra a empresa e foram indenizadas. Outras, a maioria, não quiseram ir por esse caminho, acreditando que resolveriam o problema através do diálogo, mas esqueceram de um detalhe: a companhia de abastecimento não está nem aí para elas. Será que essa falta de atenção já é o processo de sucateamento da empresa para privatizá-la? Será que privatizando esse problema seria resolvido? O que sabemos é que a cada dia várias ligações são realizadas para o escritório além dos contatos pessoais dos responsáveis e o desrespeito só aumenta.

Mais de 50 famílias vivem na comunidade, perfazendo um total de mais de 200 moradores, faltando a estes uma união coletiva que os tornem visíveis diante do problema, tal como ocorreu no Povoado Lagoa do Rancho, Porto da Folha-SE. Quando os populares desta comunidade se uniram e fecharam a pista de acesso por duas vezes tornaram-se enxergados, até o diretor da DESO foi ao Povoado e já está resolvendo o problema, reafirmando a frase “juntos somos fortes”.

Por que o gestor municipal e o poder legislativo não abraçam a causa? Será que a população só tem o dever de votar? Sabemos que esta situação é vivida por diversas comunidades do município, tais como Saco de Areia, Jenipapo, Cajueiro dos Potes etc. O mais interessante é a existência de uma enorme caixa d’água construída na gestão do ex-prefeito Eurico de Souza na comunidade do Segredo, mas que nunca serviu para nada, apenas para ludibriar os populares, aumentar o número de elefantes brancos no país e desalinhar a estrutura da encanação existente. Hoje, quando a água é liberada com pressão, momento raro, passa por diversas casas que ficam situadas no centro do povoado e vão para locais baixos, ficando as casas desassistidas.

Há 15 dias não chega uma gota de água e nem um caminhão é enviado para saciar a sede desse povo pacífico. A quem recorrer? Não sabem mais! O último recurso é rogar a Deus que envie chuva para encherem suas panelas, baldes, lavanderias, caixas, tuneis e assim diminuirá o sofrimento como as últimas que caíram na região. Mas enquanto isso as faturas continuam chegando no dia, quem não pagar poderá ter o corte, os poderes executivo e legislativo continuam sem querer enxergar e a DESO brinca de faz de conta.

Talvez exista uma pedra no caminho e ninguém tem força para tirá-la. Nesse caso, precisaremos ressuscitar Carlos Drummond de Andrade para mover a pedra e libertar esse povo da humilhação. Talvez se fizerem uma avaliação da caixa d’água elefante possam resolver o problema da comunidade. Bom, existem possibilidades, faltando ações efetivas.

Carlos Alexandre N. Aragão
Professor

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