Governo investiu R$ 3,3 milhões e beneficiou 600 produtores sergipanos

Governo investiu R$ 3,3 milhões e beneficiou 600 produtores sergipanos
maio 22 06:25 2018 Imprimir Conteúdo

Governo investiu R$ 3,3 milhões e beneficiou 600 produtores sergipanos

Neste 22 de maio, quando se comemora o Dia do Apicultor, o governo do Estado ressalta a importância desses trabalhadores para a segurança alimentar e a economia sergipana

Nos últimos seis anos, o governo de Sergipe investiu o valor aproximado de R$ 3,3 milhões no apoio ao pequeno apicultor, alcançando cerca de 600 produtores rurais de diversos municípios. O estado é, hoje, o segundo maior produtor de pólen apícola do Nordeste. Através da destinação de recursos para a aquisição de equipamentos, reformas e ampliações; ou capacitação em gestão para o pequeno apicultor, o apoio do governo do Estado tem sido fundamental.

Do Alto Sertão à Foz do São Francisco, 19 entidades da apicultura são beneficiadas. Uma delas é a Associação dos Melicultores do Alto Sertão (Amas), em Canindé de São Francisco, contemplada pelo edital de Fomento aos Arranjos Produtivos Locais (APLs), estratégia que apoia o pequeno produtor rural, através do incremento estrutural, que lhes possibilita avanços na produção e maior geração de renda para as comunidades onde estão inseridas.

A Unidade de Extração de Mel surgiu em 1996, através de uma parceria entre o Instituto Xingó e a Prefeitura de Canindé. À época, o espaço media 80m² e não atendia às exigências legais para obtenção do Selo de Inspeção Estadual (SIE). Em 2010, o prédio foi ampliado para 140m², mas ainda sem cumprir as exigências sanitárias. Em 2012, com a participação dos apicultores locais, sócios da Amas, da Cooperativa Apícola de Sergipe (Coapise), do Sebrae e da Prefeitura, a soma dos esforços resultou em um prédio de 386m², equipamentos e a possibilidade da extração de 700kg de mel por dia. Com o apoio do governo, por meio da Secretaria de Estado da Inclusão Social (Seidh), foi possível adquirir novos equipamentos e transformar a simples unidade no maior Entreposto de Mel de Sergipe. O salto produtivo se deu após o aumento da capacidade de extração de 600 kg para 2.300 kg de mel por dia – quase quatro vezes mais.

Na opinião de Jociel Ferreira da Silva, presidente da Amas, a unidade foi um grande presente para todos os associados. “A Seidh sempre nos recebeu com muito carinho e atenção. Todas as orientações foram necessárias para que pudéssemos chegar até aqui. As associações também receberam apoio do Sebrae, Codevasf, Cohidro e BNDES. Foi possível fazer todas as mudanças e adequações e avançar nos nossos trabalhos. São oportunidades de trabalho e crescimento de renda para todas as famílias”, comemorou.

Para a Unidade de Extração de Mel da Amas, foram investidos cerca de R$ 285 mil pelo Governo do Estado através do Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza (Funcep), gerido pela Seidh. Desse montante, R$ 14,3 mil foram a contrapartida da Associação, beneficiando diretamente 25 famílias. Um dos avanços proporcionados pelos novos equipamentos foi a possibilidade de fazer o envase do mel em sachês, permitindo que a Amas integrasse no Programa da Merenda Escolar e fornecesse o produto para as prefeituras e entidades que transportam o mel. O grande diferencial, contudo, foi a aquisição da máquina laminadora, alveoladora e cortadora automática para cera. Sergipe é o segundo estado do Nordeste a ter o equipamento, com capacidade para produzir 10 lâminas de cera por minuto.

“A possibilidade do pequeno apicultor negociar a aquisição das lâminas de cera com o pagamento em mel ou mesmo levar o produto in natura para processar na Amas (obtendo as lâminas) é um marco na história da apicultura sergipana. A cadeia produtiva do mel em Sergipe recebe todo o apoio do Governo do Estado, não só em melhorias estruturais, mas também na formação dos pequenos apicultores, para que possam gerenciar sua atividade como um negócio”, afirma o secretário da Seidh, José Carlos Felizola.

Pólen Apícola

Na região da Foz do São Francisco, entre belezas naturais e coqueirais, a apicultura também é uma atividade em expansão. Com o tempo, a capacitação dos produtores locais, aliada ao conhecimento de tecnologias sociais e ao meio ambiente, fez com que os membros da antiga Associação de Catadores de Caranguejo do povoado Brejão dos Negros, município de Brejo Grande, migrassem para a produção e comercialização do pólen, alimento rico em proteínas e cheio de benefícios para a saúde. Hoje, os 33 apicultores da atual Associação Brejograndense de Criadores de Abelhas (Abeca) têm renda garantida e são responsáveis pela coleta, limpeza, processamento, envasamento e congelamento, colocando Sergipe como o segundo maior produtor de pólen apícola do Nordeste.

A associação foi contemplada no segundo Edital de Arranjos Produtivos Locais (APLs), com o valor de R$ 289.350,37 (sendo R$ 15 mil de contrapartida da entidade) para elaboração do projeto arquitetônico e estrutural, execução da obra, cursos de qualificação profissional, aquisição e instalação de equipamentos, e obtenção de licença ambiental. A Seidh liberou a segunda parcela do convênio no valor de R$ 188.728,39, e com esse recurso, foi possível erguer a nova sede. Após a construção, será paga a última parcela de R$ 63.309,88, destinada à compra de equipamentos.

A principal fonte do pólen é formada pelos coqueirais, que atraem as abelhas, sendo excelentes fornecedores. A produção não para, é o ano inteiro. Segundo Albson Bispo dos Santos, presidente da Abeca, a associação é a principal processadora da região, com capacidade de até 500 kg de pólen apícola por mês. Atualmente, o produto de Sergipe atrai olhares e consumidores do Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Tocantins, Bahia, Alagoas e Santa Catarina.

“O Projeto de Fortalecimento da Atividade Produtiva de Pólen Apícola da Região da Foz do Rio São Francisco busca o desenvolvimento profissional, a agregação de valores e a melhoria da estrutura produtiva. Com a nova sede pronta e equipada, nossa expectativa é aumentar a produção, incluir mais produtores e alcançar novos mercados. Nosso foco é o pólen, que se transformou em uma opção de renda. Alguns apicultores já conseguem tirar de 4 a 6 salários mínimos na produção. Contamos com 52 famílias associadas”, explicou o presidente.

A diretora de Inclusão Produtiva da Seidh, Heleonora Cerqueira, conhece o trabalho da Abeca desde o início. Segundo ela, ver os produtores de Brejo Grande levando o nome de Sergipe para outros territórios, é motivo de orgulho. “A associação é fruto da persistência e da vontade dos apicultores e a Seidh fomenta a evolução do homem do campo. Os membros da Abeca começaram catando caranguejo e o presidente percebeu a capacidade de trabalhar com o pólen, ofertando cursos para os associados. O negócio emplacou e resultado é surpreendente. Pesquisadores e técnicos das universidades sergipanas já atestaram cientificamente a pureza do pólen. Ficamos felizes em conhecer a história e ver esse crescimento”, comemorou.

Foto: Edinah Mary

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