Superintendente do Huse fala sobre situação de superlotação do hospital

Superintendente do Huse fala sobre situação de superlotação do hospital
janeiro 05 08:49 2019 Imprimir Conteúdo

 

Impacto no atendimento começou a ser sentido pelos usuários que buscam o Huse desde a última quarta-feira, 1°

Em entrevista à repórter Magna Santana, da emissora de rádio FAN FM, na manhã desta sexta-feira, (04), o superintendente do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), unidade gerenciada pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), Darcy Tavares, explicou a situação de superlotação que o hospital vem passando, diante da falta de médicos nos hospitais da rede municipal de saúde em Aracaju. O impacto no atendimento começou a ser sentido pelos usuários que buscam o Huse desde a última quarta-feira, 1°.

“O grande problema é o fator surpresa, nós estamos preparados enquanto hospital de urgência para atender urgências, inclusive preparados para atender catástrofes, a grande questão é que estamos recebendo demanda ambulatorial em virtude da crise que vivencia a saúde municipal de Aracaju”, ressaltou Darcy Tavares.

Planejamento

O superintendente explica que a questão vai além do atendimento médico. “Em si, tem todo um planejamento, uma estrutura que a gente se prepara para prestar nosso serviço. Com essa situação, a gente necessita de um aporte maior de material, medicamento, planejamento. Desde ontem que estamos indo para a Secretaria de Estado da Saúde no sentido de equacionar essa questão de insumos e fazer um aporte emergencial porque uma demanda desse tipo pode comprometer o fluxo dos nossos pacientes, o que é da nossa competência e obrigação de fazer”, explicou.

Com todo o suporte da Secretaria de Estado da Saúde, o trabalho está sendo desenvolvido no sentido de fazer um aporte emergencial em todos esses insumos. “Além dos insumos, estamos pensando inclusive em material humano”, enfatizou o superintendente do Huse.

Esquema emergencial

Reuniões diárias estão acontecendo com todos os entes envolvidos, já que todos estão sendo afetados diante dessa situação. “Estamos tentando dar uma solução emergencial, principalmente com oferta de leitos e todo um esquema emergencial contínuo e imediato. A solução definitiva deve ser por parte do município, a gente está indiretamente envolvido nessa situação porque o doente quer ser atendido, não quer saber se vai ser no município ou no Estado, então, não podemos deixar esse paciente desassistido”, completou Darcy Tavares.

Quando questionado sobre a montagem de uma tenda básica para atendimento ambulatorial na área externa do hospital, o superintendente foi enfático. “Eu não sou muito favorável a essa questão de tenda no Huse, até porque a missão que o governador nos deu foi de humanizar esse atendimento e a humanização passa pela definição do papel do Huse, que hoje é o maior hospital de complexidade do estado, a sua função e seu objetivo é atender os casos de alta complexidade”, disse.

Darcy Tavares lembrou que é preciso começar a mostrar essa imagem à população. “Se não fizermos isso, a gente vai fazer o papel de grande ambulatório do estado e essa não é a função. O Huse é referência em todas as especialidades para todos os hospitais do estado. Essa tenda passa a imagem distorcida do real papel do Huse, acredito que a solução venha por parte da prefeitura, mas, se isso se prolongar temos que buscar uma nova solução e não do jeito que está”, comentou.

Classificação de risco

No Huse, existe um modelo de assistência aos usuários do Sistema Único de saúde (SUS) que prioriza o atendimento aos pacientes de acordo com a gravidade de cada caso, é o atendimento com classificação de risco, baseado no Protocolo de Manchester.

“Vale lembrar que como somos um pronto socorro, nós estabelecemos o Protocolo de Manchester e o paciente classificado tem seu atendimento. Se ele é classificado como Azul, ou seja, é um atendimento de consulta e seu prognostico de atendimento é de até 12 horas. A gente precisa referenciar os nossos pacientes, mas pra isso é necessário que se reestruture todo o sistema de saúde. A retaguarda funcione, o sistema esteja dentro dos padrões de hierarquização, complexidade e regionalidade, primeiro arrumar a casa senão quem sofre é a população. Primeiro trabalhar com o sistema de saúde do estado e o Huse ficaria focado no atendimento de alta complexidade”, concluiu Darcy Tavares.

Fonte e foto SES

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