Sindijus afirma que não é seguro retorno do trabalho presencial no TJSE

Sindijus afirma que não é seguro retorno do trabalho presencial no TJSE
julho 14 05:37 2020 Imprimir Conteúdo

O Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário do Estado de Sergipe (Sindijus) recebeu com preocupação a notícia, divulgada na última sexta-feira, de retorno das atividades presenciais no Tribunal de Justiça de Sergipe a partir do dia 3 de agosto.

Para a diretoria do sindicato, a grave situação do coronavírus no estado impõe a necessidade de continuidade do trabalho remoto. “A cada dia crescem de forma acelerada os números de contaminações e mortes pela covid-19 em Sergipe, o que, para preservação das vidas dos servidores, não deixa outra alternativa que não seja manter o teletrabalho”, afirma Jones Ribeiro, coordenador do Sindijus.

Em ofício enviado ao presidente do TJSE, desembargador Osório Ramos Filho, a entidade sindical pede que seja reavaliado o anúncio do retorno e prorrogado o trabalho de forma remota. Segundo Ribeiro, o momento exige “todos os cuidados para garantir a saúde e a vida não somente dos servidores e servidoras, mas também da própria população que utiliza os serviços prestados pelo Tribunal”.

O coordenador do sindicato ressalta também que o teletrabalho não está representando uma desassistência do Judiciário sergipano à sociedade, já que a produtividade do órgão permanece elevada, mesmo na pandemia. “O Tribunal tem divulgado constantemente os índices de produção que demonstram um esforço de servidores e magistrados para que o povo de Sergipe continue a ter um Judiciário que é referência”, diz Ribeiro.

A solicitação do Sindijus se baseia em uma série de estudos científicos, a exemplo de um divulgado nessa segunda-feira, 13/07, pelo Laboratório de Economia Aplicada e Desenvolvimento Regional da Universidade Federal de Sergipe. Um trecho da Nota Técnica assinada por professores de Economia da UFS frisa que “estamos aproximadamente no pico da pandemia e que sua finalização ocorrerá a partir do início de outubro”.

A mesma pesquisa estima que até o próximo dia 24 de julho, o estado deve acumular mais de 47 mil casos e quase 1400 mortes. Os coordenadores do estudo enfatizam também que a taxa atual de reprodução da covid-19 não está no índice de estabilização da doença. Com os números atualizados, em Sergipe “uma pessoa contaminada, em média, está sendo capaz de infectar outras 1,14 pessoas durante o seu período de infecção. Para que a pandemia comece a se estabilizar, é necessário que a taxa de reprodução caia para menos de 1,” explicou a professora Fernanda Esperidião, em matéria publicada no site da UFS.

No documento encaminhado à Presidência do TJSE, a direção do Sindijus solicita também que os servidores sejam consultados previamente quando da possibilidade de retorno às atividades presenciais e que antes de qualquer anúncio seja previamente apresentada toda a estratégia desenvolvida pelo Tribunal no sentido de garantir os cuidados necessários à preservação da vida.

Assessoria de Comunicação

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