Sergipe é o 2º Estado do NE a receber laboratório para impressão em 3D

Sergipe é o 2º Estado do NE a receber laboratório para impressão em 3D
julho 17 10:25 2018 Imprimir Conteúdo

O equipamento funciona como uma impressora comum, mas, em vez de imprimir imagens no papel, ele é capaz de desenvolver qualquer objeto

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) está em contagem regressiva para um importante avanço tecnológico. O estado foi contemplado pelo Ministério da Saúde (MS), através do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS), com a instalação de um laboratório de protótipos completo e de última geração que produzirá biomodelos em impressora 3D, que funcionará no Hospital de Urgências de Sergipe (Huse).

Inicialmente os protótipos serão utilizados em cirurgias bucomaxilofacial, mas, no futuro, será expansivo para neurocirurgias e ortopedia. A previsão é de que o laboratório comece a funcionar em três meses e atenderá toda a rede SUS.

De acordo com diretor técnico do Huse, Dr. Wagner Andrade, esse projeto começou na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), sob a coordenação dos professores Nadja Oliveira e Rafael Grotta Grempel que atuam, respectivamente, no Departamento de Odontologia da UEPB e no Hospital de Traumas da Paraíba e tem sido disseminado por todo o país.

“O Huse, como hospital de referência em Sergipe, será o segundo, no Nordeste, a receber essa tecnologia de inovação para o SUS, que trará maior segurança de abordagem ao paciente e um menor risco pós-cirúrgico. Por mês são realizadas, em média, 20 cirurgias bucomaxilofacial, 50 neurocirurgias e mais de 600 na área de ortopedia”, conta Dr. Wagner.

O equipamento funciona como uma impressora comum, mas, em vez de imprimir imagens no papel, ele é capaz de desenvolver qualquer objeto, camada por camada, inclusive partes do corpo humano, exatamente como são na realidade.

“Quando o paciente chega ao hospital, faz uma tomografia. Com essa tomografia em mãos nós conseguimos transferir os dados para a impressora 3D. O que é visto em cortes na tomografia é transformado em um volume. O crânio de um paciente, por exemplo, visto em cortes na tomografia, quando impresso, passa a ser completo o que possibilita identificar com precisão onde estão as fraturas. É um biomodelo de fato real, o que é mostrado ali é exatamente o que vemos no paciente”, explica o coordenador e responsável técnico da área de cirurgia bucomaxilofacial do Huse, Dr. Auremir Rocha Melo.

Com o protótipo em mãos o cirurgião pode realizar o planejamento exato do tratamento antes da cirurgia. Toda a parte de dobradura de placas, parafusos, medidas será avaliada com antecedência, o que aumenta a precisão cirúrgica e diminui o tempo de duração, a morbidade do paciente e o período de internação. “Essa previsibilidade facilita muito o trabalho do cirurgião, mas o maior beneficiado é o paciente. Os que demoram a receber um tratamento desenvolvem sequelas e, especialmente para esses casos, a confecção do biomodelo é muito vantajosa”, diz Dr. Auremir.

Os benefícios são muitos. Além do grande impacto social, com cirurgias mais curtas e menos tempo de internação, o hospital pode atender mais pacientes e com o estudo antecipado dos quadros é possível otimizar a utilização dos materiais, reduzindo custos.

O projeto será implantado, também, em outras capitais da região Nordeste do Brasil devido à grande incidência de acidentes violentos no trânsito. Segundo dados do Ministério da Saúde, o Nordeste está em segundo lugar em óbitos no trânsito, com 13.430 vítimas fatais. Desse total, 6.849 com envolvimento de motociclistas.

Por Maira Ribeiro

Foto assessoria

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