Reativar Maternidade de Capela e transformá-la em Hospital Regional é compromisso de Rogério Carvalho

maio 31 16:31 2022

Mulheres de Capela e região estão tendo que se deslocar para outros municípios, localizados a dezenas de quilômetros, para poder dar à luz, desde que a Maternidade do município deixou de realizar partos, por falta de obstetras na unidade. O centro obstétrico, que já foi referência para a cidade e regiões do Leste Sergipano e Baixo São Francisco, com realização de até 300 partos por mês, oficialmente não mais funcionará como maternidade a partir de 1º de junho, por uma decisão do governo do estado. Mas servidores relatam que há cerca de dois meses já não são realizados no local, por ausência de obstetra. As gestantes são apenas acolhidas pela equipe de enfermagem, atendidas e encaminhadas a outras unidades.

Recentemente, o senador e pré-candidato ao governo do estado Rogério Carvalho (PT) visitou a Maternidade de Capela, quando conversou com servidores sobre a situação precária que a unidade tem vivido. Eles solicitaram apoio para impedir o fechamento definitivo. Para eles, os problemas que levaram a essa situação são decorrentes da falta de interesse dos governantes em estruturar o centro obstétrico, inclusive pela falta de estímulo para que os obstetras permanecessem na unidade.

“O Estado está doando o prédio, num acordo com o município, que vai ficar responsável pelo serviço com algumas especialidades, mas sem a realização de partos. Analise o prejuízo para as gestantes daquela região, que terão que ir para a Maternidade de Nossa Senhora do Socorro, de Propriá ou de Nossa Senhora da Glória, unidades que já estão superlotadas!”, relatou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Área da Saúde em Sergipe (Sintasa), Augusto Couto.

Desestímulo

Augusto Couto ressalta que esse problema teve início a partir da atuação da própria gestão, que não estimulava a ida e permanência dos obstetras na Maternidade de Capela, pois eles recebiam ofertas financeiras muito mais atrativas para outras maternidades da rede estadual. “Não havia esse estímulo para que os profissionais permanecessem lá, parece que já para que ninguém quisesse ir. E aí a maternidade foi perdendo o objetivo que tinha, que era a realização de partos”, observou o sindicalista.

Informação confirmada pelo neonatologista Armando de Araújo, que relatou que os colegas médicos recebiam propostas mais vantajosas de um salário melhor e muitas vezes para trabalhar e morar na capital. “E quando consegue um obstetra para cá não assinam carteira, não tem direitos trabalhistas e ainda ganha menos que os celetistas. Parece uma coisa proposital para não querer mesmo”, declarou.

Compromisso assumido

Rogério Carvalho ressaltou que esta é mais uma unidade de saúde que deveria ser priorizada para estar atendendo adequadamente as gestantes. Ele lembrou ainda que, no momento que o estado precisa realizar cirurgias para diminuir a fila de procedimentos eletivos, essa unidade poderia estar sendo usada para a realização de cirurgias, mas sem deixar de atender as gestantes.

“Já assumi o compromisso com a população sergipana, em especial de Capela, de transformar essa unidade num Hospital Regional com Maternidade. O município e toda região do Vale do Cotinguiba necessitam de uma unidade de saúde desse porte. Já está na hora de a gente entregar isso à população”, enfatizou Rogério.

Com tristeza, a auxiliar de limpeza Ana Leide contou que a notícia do fechamento adoece a todos os funcionários. “Não só por conta do emprego da gente, mas a gente pensa na cidade, nas cidades vizinhas e nas pacientes”, disse.

A auxiliar de enfermagem Ivanete Rocha acrescentou que não é viável para ninguém fechar uma unidade de saúde na atualidade. “Não se fecha unidades, se abre!”, declarou.

Foto: Janaína Santos

Por Edjane Oliveira

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