Quilombolas de Sergipe vão conhecer o Projeto “Sou Mulher e muita coisa”

maio 10 11:42 2022

As mulheres dos nove estados nordestinos são as protagonistas do projeto cultural “Sou Mulher e Muita Coisa”, iniciativa da Yabá Filmes e de sua fundadora, a cineasta e escritora maranhense Milena Carvalho. A iniciatica conta com o patrocínio das empresas Alcoa (master) e Grupo GR e do Ministério do Turismo, através da Secretaria Especial da Cultura, via Lei de Incentivo à Cultura. A ação itinerante já passou pelos estados do Maranhão, Piauí e Ceará e acontecerá em Sergipe nestas quinta (12) e sexta-feiras (13).

Em Sergipe, o Projeto será exibido para a comunidade quilombola de Serra da Guia, no município de Poço Redondo e será voltado para mulheres parteiras da Associação de Parteiras do Estado de Sergipe, liderado por dona Zefa da Guia. Ela é parteira e rezadeira do sertão sergipano, já tendo realizado mais de 5 mil partos. Não sabe ler nem escrever, mas tem riquezas ancestrais e por suas mãos já vieram ao mundo alagoanos, baianos, pernambucanos e sergipanos. Mãe de oito filhos naturais e mais 18 de criação, dona Zefa tem mais de 2.800 afilhados. Trata-se de um exemplo das mulheres nordestinas fantásticas que esse projeto está ajudando a revelar.

“Estamos mergulhando fundo na alma das mulheres nordestinas e em Sergipe a nossa expectativa é das melhores, pela riqueza de experiências e do cotidiano dessas quilombolas, parteiras e rezadeiras que guardam saberes ancestrais. Será uma troca muito rica, pois ensinamos sobre empoderamento e auto estima mas também aprendemos muito mais com cada mulher que encontramos nessa jornada” revela Milena Carvalho.

O projeto tem a escrita autoficcional como forma de organização de pensamentos e sentimentos, a partir da leitura do livro “Quem é essa mulher” de autoria de Milena Carvalho; usado como material pedagógico e no qual ela aborda temas como violência sexual, maternidade na adolescência, padrões comportamentais de uma educação não feminista, superação e amor.

Voz e vez às mulheres

Uma ação criada para levar à autoreflexão, e dar voz e vez às mulheres donas de casa, mães, de religião de matriz africana, parteiras, dançantes de grupos folclóricos, artesãs, indígenas, quilombolas, quebradeiras de coco e muitas mais que carregam experiências particulares culturais, pessoais, estéticas e profissionais, e que ganharão força ao serem compartilhadas em rodas de conversa e através de oficinas de escrita criativa e afetiva com metodologia própria desenvolvida por Milena, responsável pela tutoria das oficinas.

“Sou muito grata aos patrocinadores que nos permitiram viabilizar esse importante projeto. Nossa intenção é estimular, valorizar e resgatar o sentimento de pertencimento e autovalorização nas mulheres nordestinas, especialmente no interior do nordeste onde acontece essa ação. O projeto vem ao encontro da necessidade de criar um espaço comum e acolhedor exclusivamente para essas mulheres, onde elas possam sentir-se seguras e motivadas a realizar trocas de experiências e memórias tanto traumáticas quanto afetivas, com o intuito de identificar e modificar padrões comuns entre elas, como a culpabilidade, por exemplo, e de seu entorno. Vamos falar sobre situações traumáticas do universo feminino utilizando a linguagem do amor, e falar de abuso ou violência sexual sem o discurso do ódio, mas com foco no empoderamento feminino” explica Milena.

Trata-se de uma verdadeira “imersão na alma” da mulher nordestina, e acontece no período de 30 de abril a 03 de julho, percorrendo as cidades de Codó (MA), Nazária (PI), Poranga (CE), Poço Redondo (SE), Cachoeira (BA), Santana do Mundaú (AL), Taperoá (PB), Nazaré da Mata (PE) e Macaíba (RN).

Segundo Milena, o projeto tem sido potente e transformador para as mulheres envolvidas, que carregam consigo a força e a resiliência típicas dos nordestinos; mas que habitam em uma região onde as taxas de abuso sexual e crimes de feminicídio; desemprego e maternidade na adolescência são das mais altas do país. Em suma, é preciso falar, escutar e refletir para fortalecer e mudar realidades ainda desfavoráveis às mulheres, reescrevendo novas histórias de vida e resistência.

Esse é uma ação de relevante papel social e cultural, e também uma oportunidade para as empresas patrocinadoras atuarem em uma ação alinhada ao ESG (sigla em inglês para meio ambiente, social e sustentabilidade).

“O Grupo GR acredita que apoiar projetos sociais sérios contribui para uma sociedade mais inclusiva, justa e com equidade, desta forma, confiamos no sucesso e na conquista dos objetivos almejados pelo projeto junto ao público em geral, trazendo aos envolvidos reflexões importantes sobre o tema proposto” declarou Rogério Rodrigues Santos, Gerente de Marketing do Grupo GR.

Para a empresa Alcoa, patrocinadora master do projeto, desenvolver estratégias em prol da valorização e do empoderamento das mulheres faz parte dos valores da empresa. “Acreditamos e valorizamos o talento das mulheres nas mais diversas áreas de atuação. Sempre apoiamos ações voltadas para a educação, desenvolvimento e empoderamento feminino e esse projeto vem colaborar para transformar a vida de muitas mulheres nordestinas, usando uma metodologia diferenciada e com impactos sociais relevantes. Desejamos muito sucesso a todas as participantes” declarou Helder Teixeira, Diretor da Alumar.

Sobre a Yabá Filmes

A Yabá Filmes é uma empresa sociocultural que une o cinema, a literatura e o teatro em projetos multifuncionais, tendo como base a busca pelo protagonismo, o autoconhecimento, a cultura da coletividade, a doação, um olhar para a diversidade e para novas áreas integradas. Com projetos híbridos e itinerantes, abrange todo o território brasileiro, com a perspectiva de alcance internacional.

Sua missão é impactar diretamente nos territórios em que atua, utilizando ferramentas potencialmente transformadoras. Em um pacto com a solidariedade, a Yabá Filmes dedica-se a incentivar a auto percepção dos envolvidos como coautores e protagonistas de suas realidades gerando assim autonomia, a partir da mudança de perspectiva e por sua vez reconstruindo a relação com suas próprias histórias, com o outro e com o entorno.

Sobre Milena

Milena Carvalho é cineasta formada pela Escuela Profesional de Cine y Artes Audiovisuales de Eliseo Subiela, em Buenos Aires, onde residiu por cinco anos. É também arquiteta urbanista, graduada pela Universidade Estadual do Maranhão. De volta ao Brasil realizou aulas de cinema no Complexo do Alemão – Rio de Janeiro, onde as atividades de roteiro e escrita criativa serviram de catarse para todos os participantes, especialmente para Milena. Dedicando-se a estudos de escrita e ao que ela tem de mais potente, publicou o livro de autoficção “Quem é essa mulher?”, que desencadeou em vários processos ressignificativos tanto para a autora, quanto para mais de 1.000 mulheres em todo o Brasil, e hoje alcança vôos mais altos. Compreendendo a construção de histórias como uma forma de organização de pensamentos e sentimentos, fundou a Yabá Filmes.

Fonte e foto assessoria

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