Projeto EpiSergipe divulga relatório sobre impactos sociais da pandemia em populações vulneráveis

Projeto EpiSergipe divulga relatório sobre impactos sociais da pandemia em populações vulneráveis
novembro 20 16:30 2020 Imprimir Conteúdo

Levantamento avalia dados coletados entre março e setembro deste ano no estado

A Universidade Federal de Sergipe (UFS) divulgou, na manhã desta sexta-feira, 20, um relatório sobre os impactos sociais da pandemia da covid-19 nas populações vulneráveis do estado. A análise, realizada no âmbito do projeto EpiSergipe, aborda a situação de idosos em Instituições de Longa Permanência (ILPI), cidadãos em situação de rua, adolescentes em regime socioeducativo e pessoas privadas de liberdade.

O documento apresenta informações de órgãos públicos, coletadas entre março e setembro de 2020, sobre os resultados da testagem, a contaminação e a letalidade desses quatro grupos vulneráveis. Além disso, há a análise sobre o cumprimento dos órgãos do estado com relação às recomendações nacionais de prevenção e contenção da pandemia.

O levantamento revela que houve um alto índice de testagem dos adolescentes em regime socioeducativo de internação no estado (94%). O nível de contaminação entre os funcionários testados nas unidades socioeducativas também foi alto (72%). Já no sistema prisional, registrou-se um baixo índice de testagem entre os presos (2,66%), porém um alto percentual de contaminados (65%), maior do que os socioeducandos (19,9%). Metade dos funcionários testados das unidades penitenciárias (50,34%) estavam infectados pela doença.

“Chama a atenção, e a gente deve destacar isso, que seria interessante aumentar o número de testagem em relação aos adultos privados de liberdade para a gente confirmar, se, de fato, esse índice de 65% é real, já que foram poucos testados, e continuar acompanhando os adolescentes privados de liberdade. A gente sabe que a quantidade de adolescentes é muito menor do que os adultos privados de liberdade, mas a gente sabe também que a situação de privação de liberdade é uma situação de vulnerabilidade. E, portanto, essa população deve ser, especialmente, acompanhada,” explica a professora do Departamento de Psicologia, Zenith Delabrida.

“Sergipe, em relação ao Brasil, é bem interessante. O Brasil testou muito menos os adolescentes privados de liberdade. A gente testou quase 100%, o que é uma ótima notícia. Mas, em relação aos adultos privados de liberdade, a gente está seguindo o ritmo do Brasil ainda com uma baixa testagem. Mas, em termos de contaminação, o índice de contaminação em Sergipe é alto e também no Brasil é um índice alto de contaminação dos adultos privados de liberdade. Já o índice dos adolescentes privados de liberdade é um índice menor, merece atenção, mas ele também acompanha o índice de contaminados no Brasil,” complementa a pesquisadora.

Em relação ao contexto das Instituições de Longa Permanência, o relatório aponta que não houve publicidade das ações orientadas pelo órgão competente nacional e recomendações específicas de prevenção e contenção da pandemia por meio do Governo Estadual aos trabalhadores.

Não foi possível obter dados quantitativos e qualitativos quanto às pessoas em situação de rua, em razão da ausência de uma rede de proteção pública consolidada. Com dados insuficientes e a carência de informação nos sites oficiais, as pesquisadoras afirmam que não foi possível calcular o percentual de testagem dos idosos que vivem em ILPI e das pessoas em situação de rua.

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“Sem dúvida, um resultado preliminar é a própria ausência de dados reais,que estejam atualizados. Em relação à população de idosos e à população de rua, por exemplo, nós não temos um censo e um mapeamento que indiquem quantas pessoas no estado estão nessas condições . Ainda que nós estimamos que não sejam muitas pessoas, em torno de 400 , no máximo, 500, isso não é apurado estatisticamente ainda. Então, um dos resultados é justamente recomendar às autoridades para que a gente tenha essas informações sistematizadas, em tempo real,” pontua a professora do Departamento de Direito, Karyna Sposato.

“Nós podemos sintetizar através de três principais conclusões: a importância de conhecer esse universo, de ter dados reais, acompanhar essa realidade do ponto de vista estatístico e quantitativo, conhecer a realidade para poder agir sobre ela. A segunda questão é a importância da testagem em relação a esses grupos, ainda que nós tenhamos tido testes já realizados , é importante ampliar esse número de testes para conhecer melhor a questão do contágio. E o terceiro aspecto que gostaria de destacar é a importância de que as informações sejam cada vez mais publicizadas,” acrescenta a pesquisadora.

Os dados e informações do relatório foram levantados nas plataformas digitais do Ministério da Saúde, Departamento Penitenciário Nacional, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Fundação Renascer, Secretaria do Estado da Inclusão e Assistência Social e Secretaria do Estado da Justiça, do Trabalho e de Defesa do Consumidor.

Projeto EpiSergipe

A Universidade Federal de Sergipe firmou uma parceria com o Governo de Sergipe para o desenvolvimento de um projeto que visa acompanhar o grau de contaminação e os impactos do coronavírus em Sergipe. O investimento será de R$ 4.160.000,00.

Subdividido em três vertentes, o projeto terá duração de um ano e consiste em monitorar o nível de infecção por covid-19 no estado, identificando-se a prevalência em quinze municípios sergipanos, estimar os impactos socioeconômicos da pandemia no estado e acompanhar os impactos sociais em populações mais vulneráveis.

Por Abel Victor | Rádio UFS –

Foto: Josafá Neto/Rádio UFS

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