Prefeitura de Aracaju orienta população a atuar para prevenir e combater focos do Aedes

julho 04 17:00 2019 Imprimir Conteúdo

Para evitar a proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya, a Prefeitura de Aracaju tem atuado de maneira intensa, e iniciou, na segunda-feira, 1º, a execução do Plano de Intensificação das Ações de Combate ao mosquito, medida que visa reforçar o trabalho de prevenção e controle de processos epidêmicos e evitar a ocorrência de mortes e complicações derivadas de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.

Devido ao período de grandes chuvas, a quantidade de criadouros do mosquito tende a aumentar. Isso porque, o descuido com material propenso a acúmulo de água pode gerar criadouros. “Nós estamos em um período do ano que tem mais focos, a chuva está aí, eu tenho um depósito, tenho um brinquedo no fundo do quintal, e com a chuva vou ter água acumulada”, alerta a diretora de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde, Taise Cavalcante, ao destacar que, embora no frio o desenvolvimento das larvas seja mais lento, cerca de 15 a 20 dias para chegar à fase adulto, as chuvas potencializam o acúmulo de água.

As doenças causadas pelo Aedes são transmitidas pelo mosquito fêmea, que transmitem o vírus quando vão em busca do sangue humano para o desenvolvimento de seus ovos. O mosquito fêmea deposita seus a cada 3 dias e em cada um deles pode colocar até 200 ovos.

“Considerando que, a partir do momento que uma fêmea infectada coloca seus ovos, todos eles podem nascer com vírus e quando se transformarem em mosquito adulto transmitirão a doença. Ele pula um ciclo, o de não se contaminar primeiro com alguém que está doente, e já nasce transmissor de doença. Se você tiver um local com vários depósitos, o mosquito vai colocar seus ovos em todos eles”, alerta Taíse.

No último Levantamento Rápido de Índices do Aedes aegypti (LIRAa), feito pela Secretaria Municipal de Saúde e divulgado no dia 17 de maio, houve uma indicação de risco médio de uma infestação em Aracaju, ao subir de 1,2 para 1,8. Esse é um indicador que o município toma como base para intensificar suas ações, tendo o resultado de 0 a 0,9 como um baixo risco, 1 a 3,9 risco médio ou alerta, e 4 ou acima disso, alto risco ou epidemia.

O LIRAa começa a ser realizado no início de janeiro e ocorre a cada dois meses. Assim como esse levantamento, a Prefeitura realizou, de janeiro a maio, 11 mutirões, coleta de 25.097 pneus e aplicação de 70 fumacês costais. De acordo com a diretora de Vigilância da SMS, o trabalho é realizado em dois períodos: durante a manhã, com a busca das incidências, e no fim de tarde, horário de maior atividade do mosquito, com aplicação do fumacê. São os chamados bloqueio de caso e bloqueio de transmissão.

“Uma equipe vai até o local onde há foco, faz uma busca numa área de até 300 metros e, no final da tarde, a equipe do fumacê costal vai e aplica o inseticida para matar o mosquito adulto. Pela manhã, nós fazemos a eliminação dos focos e a tarde atacamos o mosquito adulto com o fumacê. Toda essa ação, que chamamos de bloqueio, permite que, a partir dali outras pessoas não adoeçam e não vire um surto, uma epidemia”, explica Taíse.

Sintomas

Existem alguns sinais que indicam a presença das doenças transmitidas pelo Aedes, em especial a dengue, maior preocupação no momento. A diretora Taise salienta que, ao avaliar a questão dos pacientes com dengue, são reforçados para os profissionais de saúde e para a população a existência dos sinais de alarme, como sintomas manifestados no terceiro ou quarto dia da doença.

“A pessoa infectada com o vírus pode apresentar alguns sinais que indicam a complicação do quadro. Dores abdominais, vômitos persistentes, dificuldade respiratória e queda de plaquetas, são alguns desses indicadores”, afirma a diretora, destacando também uma avaliação de sangue feita por meio de exames, o chamado aumento do hematócrito.

Grupos de maior vulnerabilidade, como crianças, idosos e gestantes devem ter um cuidado redobrado na identificação e tratamento dessas doenças. “Dependendo da condição do paciente, da vulnerabilidade, como nos extremos de idade, o risco é maior, pois são pessoas que poderão ser mais acometidas com complicações e com morbidades. Pessoas que já têm doenças de base também podem ter complicações. Esses fatores são também um motivo de alerta maior”, ressalta Taise.

Ao cidadão com suspeita de estar contaminado, a diretora de Vigilância em Saúde recomenda procurar um médico, um profissional de saúde que possa avaliar e fazer o estadiamento. “Avaliar o seu quadro naquele momento, para classificar e dar as orientações. É importante se hidratar, beber bastante líquido, bastante água, porque essa é uma das condições que faz com que o paciente complique um pouco mais, chegue a ficar internado com complicações e pelo prazo e não tratamento, venha a falecer”, orienta a diretora da SMS.

Cuidados

Evitar uma epidemia do mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya é um trabalho que deve ser feito em conjunto. Em períodos chuvosos, por exemplo, a diretora da Vigilância em Saúde destaca que é fundamental atentar-se aos possíveis criadouros.

“Acabou a chuva, vá no seu quintal, no seu espaço, ao menos uma ou duas vezes por semana e elimine todo local que acumulou água, porque se acumulou, ali é um criadouro. Gerando criadouros nós teremos mosquitos e teremos um problema maior”, alerta.

O ovo de um Aedes aegypti pode ficar até 450 dias grudado nos locais onde a fêmea os deposita, e quando a água chega ao nível onde estão colocados, começa o desenvolvimento do mosquito. Por isso, além de eliminar água parada, é importante a limpeza de depósitos e locais que possam acumular água.

“A eliminação dos ovos só será feita esfregando internamente esses depósitos. A gente orienta que ao menos duas vezes na semana faça a limpeza e não apenas a água. Quando for trocá-la, passar uma esponja ou escova na parte interna, pode se com ou sem sabão, para eliminar esses ovos que ficam grudados nessa área, para que eles não entrem em contato com a água e comece o desenvolvimento do mosquito”, ensina .

Para relatar casos onde há indícios de focos, a Secretaria de Saúde possui um atendimento feito através do número 156. Por ele é possível denunciar casos de focos do mosquito, assim como receber uma orientação a respeito do que se deve fazer caso tenha sido infectado pelo vírus.

“Aqueles que desejam efetuar uma denúncia de focos, existe o número da nossa ouvidoria. As pessoas podem denunciar locais que acreditam ter foco e, além disso, também relatar que teve dengue, mas não procurou atendimento médico. É importante porque muitas pessoas adoecem e não vão ao hospital e quando vão já estão em um estágio mais grave”, diz.

Em casos onde haja resistência em realizar os cuidados adequados, existe uma lei municipal que multa o cidadão. “O município de Aracaju tem uma lei que pune essas pessoas, claro que existe uma parte jurídica e administrativa da lei, damos um prazo para esse morador organizar o seu espaço e retornamos. Se encontramos o foco no mesmo local, aplicamos multa. Nesse momento de intensificação do plano, de toda a Prefeitura mobilizada, nós estamos com a Guarda Municipal também nos acompanhando para que numa dessas situações consigamos entrar também pela presença da Guarda, para fazermos essa eliminação e essa orientação ao morador. Temos também, nessa lei municipal, a questão de abrirmos casas abandonadas e fechadas por muito tempo para fazermos a busca”, explica a diretora de Vigilância.

A força tarefa criada pela Prefeitura envolve, além da Secretaria de Saúde, a Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb), Secretaria Municipal da Educação (Semed) e Secretaria Municipal de Assistência Social.

Foto: Silvio Rocha/Ascom SMS

Por Tirzah Braga

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