Pandemia: não estamos perto do fim, diz médico infectologista

janeiro 13 07:51 2021 Imprimir Conteúdo

“A vacina é uma forma de prevenir casos novos e casos graves e tentar frear a pandemia, mas não é cura para Covid19”, diz infectologista.

“O panorama é crítico e nesse momento extremo o que se vê são cidadãos e governantes sem dar a devida atenção à situação”. A declaração é do médico infectologista, Matheus Todt, que a cada novo boletim divulgado pelo consórcio de veículos de imprensa, com base nos dados das secretarias estaduais de Saúde, aponta para um cenário cada vez mais difícil.

“O Brasil bate recorde atrás de recorde de casos de óbitos. Manaus foi a primeira capital a esgotar número de leitos e a previsão é de que após o mês de março não haja local para sepultar seus mortos. A possibilidade de falência no sistema de saúde nos Estados é uma realidade”, indica.

Vacina é prevenção

Segundo Todt, professor do curso de medicina da Unit, a vacina é uma forma de prevenir os novos e casos graves, além de ser uma tentativa de frear a pandemia, mas a vacinação em massa sem alinhamento com outras medidas, não surtirá efeito desejado.

“A vacina, independente do laboratório que a produziu, é segura, mas não é uma cura, e sim, prevenção. O fato é que não temos como nos livrar dessa pandemia se não for por uma vacina. Entretanto, sem cronograma efetivo, perspectiva de aumento significativo de leitos de UTI, e até o momento, de intensificação das medidas de restrição de mobilidade, não há como conter a disseminação”, alerta.

Lockdown

De acordo com Matheus Todt, a única medida capaz de reduzir a velocidade de disseminação é o isolamento social.

“Países que melhor adotaram, ficaram bem.  O Reino Unido, que vai completar um mês do início da imunização, decretou lockdown total até o final de janeiro. A Alemanha já propôs a mesma medida, assim como Portugal.  O Brasil, que é o terceiro em infecções e mortes, perdendo para Índia e Estados Unidos, ainda não considera essa possibilidade.  Temos todos os cenários possíveis de segunda onda de casos, ainda pior que a primeira”, alerta.

“Não podemos esperar esse vírus infectar ou mesmo matar todos os suscetíveis para que a pandemia comece a abrandar. Não vejo outra alternativa, senão o isolamento social drástico e a vacinação em massa. Quanto antes fizermos isso, mais rápido podemos pensar no fim dessa pandemia, que se encontra, provavelmente, em seu momento mais grave”, finaliza.

Assessoria de Imprensa

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