Os farmacêuticos são invisíveis?, questiona Carlos Eduardo Araújo

Os farmacêuticos são invisíveis?, questiona Carlos Eduardo Araújo
maio 07 12:35 2020 Imprimir Conteúdo

Quando se forma, o farmacêutico jura se mostrar sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência e são nos momentos mais difíceis, como esta pandemia que estamos vivenciando, que estes princípios são evidenciados.

Não é nada fácil deixarmos nossas famílias em casa e partirmos para uma jornada de trabalho em uma farmácia. Embora tenhamos sido formados para isso, temos a nossas inseguranças e medos, mas sabemos que não podemos retroceder, pois muitas vidas dependem do nosso trabalho.

Os farmacêuticos são os profissionais de saúde responsáveis por oferecer à grande parte da população os primeiros cuidados de saúde, pois, muitas vezes, a farmácia é o único serviço de saúde disponível.

Apesar disso, no momento que dedicamos toda a nossa força de trabalho para o combate à pandemia ocasionada pela COVID-19, nos tornamos invisíveis aos olhos das autoridades do nosso Estado. Triste, né?

O que está faltando para o Governo de Sergipe adotar as medidas de prevenção, que foram apresentadas pelo Conselho Regional de Farmácia, com o intuito de minimizar o risco de contaminação pelo coronavírus nas farmácias de Sergipe?

Recomendação, Indicação Legislativa, envio de ofícios, entrevistas, pedidos de audiência, tudo isso já foi feito, mas não obtivemos êxito.

Até quando vai ser preciso repetir que as farmácias atendem, diariamente, milhares de pessoas, muitas das quais potencialmente infectadas pelo coronavírus, e que isso deixa o farmacêutico e os demais trabalhadores da farmácia completamente vulneráveis a este vírus?

A quem cabe a responsabilidade de proteger os profissionais que estão oferecendo a sua força de trabalho para combater este inimigo pouco conhecido: o coronavírus? É pedir demais às autoridades do nosso Estado que exijam que as farmácias forneçam aos seus funcionários Equipamentos de Proteção Individual (gorros, máscaras, óculos de proteção, etc.)? Que adotem medidas que evitem aglomeração, como demarcação de espaços com fitas adesivas? Que estabeleçam um espaçamento mínimo nas filas durante o atendimento? Que criem barreiras físicas, por meio de fitas, cavaletes, parede
de vidro ou acrílico, por exemplo, garantindo assim o distanciamento mínimo entre os usuários da farmácia e o balcão de atendimento?

Será necessário que haja um resultado fatal para que os farmacêuticos e funcionários de farmácia deixem de ser invisíveis?

A quem interessa a exposição dos farmacêuticos, de suas famílias e de toda a população a este inimigo tão implacável: o coronavírus?

Carlos Eduardo Araújo de Oliveira
Farmacêutico – CRF 317/SE

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