Mulheres de Sergipe contra violência, racismo e em defesa da aposentadoria

Mulheres de Sergipe contra violência, racismo e em defesa da aposentadoria
março 07 14:32 2019 Imprimir Conteúdo

O ato também é pelas memórias das Marielles, Margaridas, Yasmins e Laysas que são mortas todos os dias em nosso país

Nos primeiros 20 dias deste ano, 107 mulheres foram assassinadas. A triste estatística é que 13 mulheres são mortas a cada 24 horas.

O pacote anti-crime defendido pelo governo federal abre espaço para legitimação das mortes de jovens negros da periferia, além de colocar em xeque a Lei Maria da Penha, pois abre a possibilidade de absolvição daquele que matar uma mulher por estar sob “violenta emoção”.

A Reforma da Previdência apresentada pelo governo federal tem como principais prejudicadas as mulheres, pois aumenta a sua idade mínima de 55 para 62 anos para trabalhadoras da cidade e de 55 para 60 anos para as trabalhadoras rurais. O tempo de contribuição para ter a integralidade do benefício é de 40 anos. Para reverter esse cenário, o 08 de março, Dia Internacional da Mulher, terá em todo Brasil a luta contra a violência, o racismo e em defesa da aposentadoria.

Em Sergipe a agenda de luta das mulheres sergipanas, organizadas em diversos movimentos sociais, sindicais, partidos começará às 6h no posto de saúde do bairro Japãozinho (zona norte de Aracaju), depois segue para a sede da empresa Almaviva no bairro Industrial. Juntas, mulheres do campo, ribeirinhas e da cidade irão em marcha até a Assembleia Legislativa, ao Tribunal de Justiça e finalizam o ato no INSS.

Carta de reivindicação

As mulheres sergipanas vão entregar uma carta de reivindicações ao governador Belivaldo Chagas, à vice-governadora Eliane Aquino, aos/as deputados/as, ao prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira e também ao Tribunal de Justiça e ao Ministério Público Estadual.

Entre as reivindicações estão: a garantia do funcionamento 24h da Delegacia de Atendimento a Grupos Vulneráveis e implantação em todas cidades pólos dos territórios sergipanos; garantia de Programa de Geração de Emprego e Renda exclusivo para as mulheres desempregadas sergipanas, com igualdade de remuneração em relação aos homens; criação de campanhas permanentes e de um programa educativo para combate e prevenção de práticas de machismo nas escolas e unidades de saúde; efetivação do programa de atendimento especializado, no SUS, para as mulheres, a população negra, LGBT e indígenas, entre outras.

Marco Contra Reforma da Previdência

Fundadora do Fórum de Mulheres Glorienses, a diretora de Políticas Sociais da Central Única dos Trabalhadores (CUT/SE), Itanamara Guedes afirmou que o dia 8 de março em Sergipe está sendo construído como um marco na luta contra a Reforma da Previdência. Desta maneira, no dia 8 de março, as mulheres da capital do Sertão de Sergipe vão protestar em Aracaju e se somar às centenas de trabalhadoras do campo, da cidade e de comunidades ribeirinhas que se somam na construção deste grande ato.

“O dia 8 de março será um marco para barrar a Reforma da Previdência, para denunciar o alto índice de feminicídio, para nos posicionar contra o porte de arma que vem para matar mais mulheres, o extermínio da juventude negra, vamos denunciar todas as medidas do Governo Federal que atingem diretamente as brasileiras. Diante do aumento do assassinato de mulheres, fica evidente que é preciso fortalecer a política para mulheres no Estado de Sergipe. Além disso, em Aracaju, o crescimento da taxa de desemprego alcançou o índice de 20%, e a maioria dos desempregados são mulheres. Vamos lutar por nossa aposentadoria, porque a reforma da previdência ataca diretamente a mulher e desconsidera que nós, mulheres, trabalhamos cinco horas a mais do que os homens nas tarefas domésticas culturalmente impostas”, explicou Itanamara.

O ato pelo dia 08 de março em Sergipe é uma construção coletiva dos seguintes movimentos sociais, partidos e sindicatos: CSP-CONLUTAS, CTB, Central Única dos Trabalhadores (CUT), SINASEFE, SINDIFISCO, SINDIJUS, SINDIMARKETING, SINDIMINA, SINDIPEMA, SINDIPETRO, SINDISCOSE, SINDUSCOM, SINTESE, SINTUFS, SENGE, ADUFS, ANDES, SEEB/SE, MTST, MST, Resistência, RUA, AMOSERTRANS, Frente Brasil Popular, FETAM, FETASE, FPSM – Frente Povo Sem Medo, MML – Movimento Mulheres de Luta, MMM – Marcha Mundial das Mulheres, MMTR – Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais, MNU – Movimento Negro Unificado , MPA – Movimento dos Pequenos Agricultores, UBM, Auto Organização de Mulheres Negras “Rejane Maria”, Coletivo Afronte, Coletivo “Ana Montenegro”, Coletivo de Mulheres de Aracaju, Coletivo Olga Benário, Coletivo Quilombo Sergipe – Núcleo Beatriz Nascimento, EDUCAMPO-SE, Marcha Mundial das Mulheres, Fórum de Mulheres Glorienses, Mulheres do Erukerê, PSOL, PSTU, PT, Sec. de mulheres JPT, Mandato do deputado estadual Iran Barbosa e Mandato deputado federal João Daniel.

Por Iracema Corso

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