Meros pagadores de salários

Meros pagadores de salários
dezembro 21 08:19 2020 Imprimir Conteúdo

Por Adiberto de Souza

A maioria dos prefeitos que tomará posse daqui a 12 dias não cumprirá as promessas feitas na campanha eleitoral. Isso porque os recursos disponíveis nas prefeituras mal dão para pagar a folha de pessoal e executar serviços básicos, como manutenção de ruas e praças, coleta de lixo e abastecimento da frota de veículos. A baixa atividade econômica e a pequena arrecadação de tributos, fazem com que grande parte dos municípios seja dependente das transferências externas. Muitos prefeitos em fim de mandato comemoram o fato de pagar em dia o funcionalismo, assim mesmo graças ao Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), usado por oito em cada 10 municípios para custear a folha dos professores. Sem as transferências estaduais e federais, como o Fundo de Participação dos Municípios, a grande maioria das prefeituras já tinha fechado as portas para balanço. Portanto, embora tenham prometido mundos e fundos aos eleitores, os futuros prefeitos vão tomar posse sabendo que não honrarão as promessas. Com o dinheiro que encontrarão em caixa, quando muito, eles conseguirão pagar a folha de pessoal em dia. Crendeuspai!

Galinha-verde

Alguém sabe de quem foi a infeliz ideias de substituir por um horrível traje verde-cana a tradicional roupa vermelha do Papai Noel que fica no centro de Aracaju? As pessoas que passam pelo calçadão tiram a maior onda com o “bom velhinho”, confundido com um “galinha-verde” da Ação Integralista Brasileira, fundada por Plínio Salgado, em 1932. Ainda está em tempo de devolverem a vistosa roupa vermelha do Papai Noel, para que o coitado tenha um Natal menos cabuloso. Misericórdia!

Ciganos aterrorizados

O Instituto Cigano do Brasil denunciou o clima de terror vivido pela comunidade cigana residente em Umbaúba, zona sul de Sergipe. Segundo o presidente da entidade, Rogério Ribeiro, as famílias estão apavoradas com a ação da Polícia, que atua na região visando desvendar os assassinatos dos policiais civis Marcos Luis Morais e Fábio Alessandro Pereira Lopes. Desde o dia deste terrível crime, sete ciganos já foram presos e outros cinco morreram, segundo a Polícia, em troca de tiros por terem reagido à voz de prisão. Rogério defende a punição dos culpados pelas mortes dos agentes, mas implora que a ação policial não seja voltara contra toda a comunidade cigana de Umbaúba. Aff Maria!

Feliz Natal

Reeleito para mais um mandato, o prefeito Edvaldo Nogueira (PDT) divulgou mensagem convidando a população de Aracaju para celebrar e “reacender a esperança de que 2021 será um ano muito melhor e próspero”. O pedetista ressalta que 2020 foi difícil para toda a humanidade devido a Covid-19 e, justamente por causa da pandemia, ele sugere que as pessoas continuem tomando os cuidados necessários de higienização e mantendo o distanciamento social. Certíssimo!

Cultura festejada

O ex-senador Antônio Carlos Valadares (PSB) está comemorando a produção de pêras no perímetro irrigado de Canindé do São Francisco. Vavá lembra que a implantação dessa cultura no semiárido sergipano foi possível graças a uma emenda parlamentar apresentada por ele e que garantiu os recursos para as pesquisas desenvolvidas pela Embrapa, Codevasf e o governo de Sergipe. O projeto de produção de uvas e pêras em Canindé teve início em 2016. E viva o homem do campo!

E o salário, ó!

Escudado na crise financeira, o governo de Sergipe se nega, há anos, a recompor as perdas salariais sofridas pelos servidores públicos. Aliás, neste quesito, o executivo sergipano desrespeita à Constituição Federal há muito tempo. O congelamento dos salários são a maior prova de que o governo não prioriza quem, de fato, toca a máquina pública estadual. Ó Céus!

Barra pesada

As mulheres trabalham, em média, 7,5 horas a mais que os homens por semana. Isso ocorre devido à dupla jornada, que inclui tarefas domésticas e trabalho remunerado. Segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, a jornada média das mulheres é de 53,6 horas e a dos homens, de 46,1 horas. Em relação às atividades não remuneradas, a proporção se manteve quase inalterada ao longo de 20 anos: mais de 90% das mulheres declararam realizar atividades domésticas; os homens, em torno de 50%. Ufa!

Políticos ladrões

Com as exceções de praxe, os políticos brasileiros não passam de um bando de ladrões. Dia sim outro também a Polícia Federal começa o expediente prendendo gestores e parlamentares, todos flagrados metendo a mão grande nas verbas da educação, saúde, segurança, etcétera e tal. Tem daqueles safados que, temendo a visita matinal da PF, já não dormem mais em casa. Enquanto isso, os cidadãos honestos se questionam onde o Brasil vai parar com tantos ladrões de colarinho branco? Virgem Santa!

Mal na fita

Vejam que lástima: O Brasil tem o maior número de casos de casamento infantil da América Latina e o quarto no mundo. No país, 36% da população feminina se casa antes dos 18 anos. Estudo do Banco Mundial mostra que se a menina estiver grávida não há limite de idade. O casamento infantil responde por 30% da evasão escolar feminina e as coloca em maior risco de sofrer violência doméstica, estupro marital e mortalidade materna e infantil. Só Jesus na causa!

Festas proibidas

A Secretaria da Saúde de Sergipe promete punir com rigor quem promover festas clandestinas agora no Natal e no Réveillon. Alerta que, devido ao crescimento dos casos de Covid-19, estão proibidos eventos públicos ou privados sem a devida aprovação de projeto detalhado das medidas sanitárias. Como perguntar não ofende: a Secretaria Estadual da Saúde exigiu esse tal projeto ou fiscalizou as carreatas e grandes aglomerações de eleitores promovidas na campanha passada pelos candidatos a cargos eletivos? Danôsse!

Soy contra tudo

Essa é da lavra da professora Rosa Maria Ferrão: Conta-se que, após o naufrágio do navio em que viajava, um anarquista conseguiu chegar a uma praia. Então, olhando em volta, dirigiu-se aos que o cercavam: “Hay gobierno? Se hay soy contra. Se no hay también soy!”. Então, tá!

Recorte de jornal

Publicano no jornal Correio de Aracaju, em 15 de fevereiro de 1918.

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