Médicos emitem nota e dizem que “somos humanos. não somos empresas”

Médicos emitem nota e dizem que “somos humanos. não somos empresas”
janeiro 05 07:20 2019 Imprimir Conteúdo

 

Em reunião realizada nesta sexta-feira (04), com a prefeitura de Aracaju, nós, médicos recebemos outro GOLPE contra a nossa profissão e contra nossos direitos humanos. A prefeitura não se mostrou aberta a negociação, ela propôs a manutenção da obrigatoriedade do vínculo de pessoa jurídica e apenas aumentou a porcentagem de 20 para 30% da bonificação SE cumprimos os 4 requisitos do edital do PJ e manteve o valor da hora do plantão em com redução de 40% do valor de 2018. Nós médicos apresentamos nossa proposta de MANTER os mesmos valores praticados em 2018, pelo menos seguindo a orientação do Ministério público em acabar com o vínculo ilegal do RPA propomos o vínculo de CLT enquanto a prefeitura pode organizar, com prazo definido, o nosso há mais de dez anos esperado concurso público, isso implicará em NOSSO RETORNO IMEDIATO AS UNIDADES. E para nossa decepção e da população Aracajuana, eles não aceitaram e nem negociaram. Insistem em manter as Unidades de pronto atendimento sem médicos, manter a população sofrendo pela desassistência a saúde e provocando superlotação no HUSE e Hospitais Regionais.  Queremos esclarecer que não vamos nos sujeitar ao vínculo de pessoa jurídica por que tal vínculo fere os direitos trabalhistas e HUMANOS,  transformar- nos em uma empresa prestadora de serviço a prefeitura de Aracaju nos submete a continuar sem nenhum direito trabalhista a exemplo: férias, décimo terceiro, licença maternidade e outros. Pelo contrário nos impõe muitos deveres como, por exemplo, continuar trabalhando mesmo se houver diminuição do nosso salário ou até mesmo se passarmos meses sem receber,  obrigando-nos também a colocar outro médico pra atender em nosso lugar (pagá-lo do nosso bolso) caso fiquemos doentes ou até mesmo por gravidez e pós parto!!!! Além dos gastos que teremos para abrir a empresa, manter os gastos mensais com contador e pagar uma segunda anuidade do CRM. Será que o profissional médico de Aracaju não merece direitos trabalhistas, e por que não dizer direitos humanos? Nos médicos não somos HUMANOS? Nós somos sim, somos aqueles que passaram a adolescência sonhando com a medicina e abdicando de tudo por sua dedicação à escola e aos cursinhos, que passamos seis anos estudando em uma faculdade em período integral, que passou mais 3 ou mais anos nos especializando e que trabalhamos dia e noite e até nos finais de semana. Somos nós que enfrentamos plantões estressantes, com superlotação, com dificuldade operacionais, com perigo a própria vida quando não temos nem segurança policial nos hospitais, nós que temos que atender todo tipo de paciente, as vezes até sob ameaça, nós que nos viramos pra pra fazer funcionar máquinas de suporte de vida  quebradas no meio da madrugada, nós que ficamos horas tentando exames ou conseguir leito de UTI para nossos pacientes graves, nós que damos jeitinho quando a solicitação de material básicos e até antibióticos não é liberada pela gestão municipal de saúde. Sabe por que fazemos isso ? Por que somos humanos, sabemos o que é padecer, sabemos o que é dor e o medo, como qualquer ser humano comum. E por que nós médicos não podemos ser tratados como seres humanos? Nós estávamos com nossa disposição para trabalhar em janeiro, e a prefeitura e secretaria de saúde GEROU toda essa situação de desassistência a saúde de Aracaju. Não nos deu aviso prévio digno, não está negociando pensando em nossos direitos trabalhistas, não está nos valorizando como profissionais que trabalham há anos nessas UPAS, pelo contrário ainda temos que ler nas redes sócias do próprio prefeito que ele está buscando outros profissionais para contratação. Por que a prefeitura insiste em nos forçar a um vínculo em que não teremos direitos trabalhistas? Em pleno século 21, em que todas as classes lutam pelos direitos humanos, gays, negros, deficientes … por que nós médicos não merecemos o mínimo de dignidade ? Nós somos trabalhadores, somos humanos, não somos EMPRESAS.

Da assessoria

 

 

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