Justiça por Genivaldo: em Sergipe a luta continua.

junho 01 10:29 2022

No próximo sábado, a manifestação será na Pça do Cuscuz  no município de Umbaúba.

A chama da revolta no município de Umbaúba, em Sergipe, após o assassinato de Genivaldo de Jesus Santos, dentro da viatura da Polícia Rodoviária Federal (PRF), no dia 25 de maio, continua acesa. Imagens fortes foram divulgadas por todo o mundo mostrando o momento exato em que o cidadão não resiste à violência e falece por asfixia. A repercussão nacional e internacional do assassinato segue para cobrar investigação de verdade e punição dos culpados.

O endereço da próxima manifestação, no sábado, dia 4 de junho, é o município de Umbaúba. Na última sexta-feira, dia 27 de maio, foi o Movimento Negro Unificado (MNU) que organizou o protesto em Aracaju, em frente à Polícia Federal, na Avenida Rio de Janeiro.

A Secretária de Combate ao Racismo da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Arlete Silva, militante do movimento negro em Sergipe, participou da construção do ato. Também estavam presentes o presidente da CUT/SE Roberto Silva e os dirigentes da central: Ivônia Ferreira, Rubens Marques, Itanamara Guedes e Plínio Pugliesi.

“Representantes de Movimentos Sociais e do Movimento Negro expressaram em frente à Polícia Federal a indignação de todos nós. A morte de Genivaldo foi mais um caso de racismo praticado pela polícia contra a população negra, pobre e periférica. Os Policiais Rodoviários Federais agiram com truculência e tamanha crueldade contra um homem que já estava imobilizado. O gás jogado dentro da viatura com Genivaldo foi um verdadeiro terror visto e filmado por muitos”, afirmou Arlete.

O assassinato de Genivaldo de Jesus Santos aconteceu a poucos dias da chacina na Vila Cruzeiro, uma operação policial com saldo de 23 brasileiros mortos; e na mesma data do assassinato de George Floyd, nos Estados Unidos, igualmente provocado por uma abordagem policial violenta que levou à morte por asfixia do cidadão americano negro.

Aqui em Sergipe, o ex-presidente e atual dirigente da CUT/SE, Rubens Marques, acompanhou as primeiras manifestações em Umbaúba que provocaram o fechamento da BR 101 um dia após o assassinato de Genivaldo e também participou do protesto em Aracaju. “O ato em Umbaúba não foi simples nem pacífico, porque a direita bolsonarista estava presente para prestar solidariedade à família de Genivaldo, mas não queriam que ninguém falasse no nome de Bolsonaro. Diziam que não se podia politizar o ato”.

Em sua fala, o professor Dudu foi interrompido por um homem que o ameaçou para que ‘tome cuidado quando fala da Polícia Federal’. A interrupção provocou mais revolta entre os manifestantes que o expulsaram do ato enquanto Dudu respondeu que: “nenhuma Polícia Federal tem direito de ameaçar ninguém porque quem paga o salário de vocês somos nós, trabalhadores. É por isso que quando nós defendemos outro modelo de polícia que não seja truculento, violento, para causar medo e assassinar a população, nós estamos falando de política sim”, respondeu Dudu.

O assassinato de Genivaldo chama a atenção para a letalidade policial que no Brasil cresceu 190% desde 2013. O pequeno Estado de Sergipe ocupa o 3º lugar no Brasil em que ocorrem mais mortes durante abordagem policial.

Pedro Alexandre, militante do movimento negro, enfatizou que o nome dado à segurança pública não é condizente com a realidade sofrida por todas as famílias negras do Brasil. “Por que essa marcha fúnebre? Porque a elite brasileira foi educada a ter nojo, ódio e vontade de matar o povo preto. Por isso, todos os dias, acontece o mesmo crime dentro da periferia porque a polícia foi feita para guardar o patrimônio da população branca deste país”, declarou durante o ato em frente à PF.

No próximo sábado, dia 4 de junho, acontecerá mais um ato na cidade de Umbaúba para cobrar que se faça justiça pelo assassinato de Genivaldo. A ação política é organizada pelo Fórum de Organizações Negras de Sergipe Contra o Racismo e pela Democracia, Secretaria Estadual de Combate ao Racismo do PT, Coletivo de Negras e Negros do PSOL, Movimento Negro Unificado e ADUFS.

Foto assessoria

Por Iracema Corso

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