João Daniel repudia despejo do Centro de Formação Paulo Freire

João Daniel repudia despejo do Centro de Formação Paulo Freire
setembro 12 05:00 2019 Imprimir Conteúdo

 

O deputado federal João Daniel (PT/SE), em discurso na sessão da Câmara nesta quarta-feira, dia 11, repudiou o pedido do governo federal, através da Presidência Nacional e da Superintendência do Incra em Pernambuco, de despejo contra o Centro de Formação Paulo Freire, junto à Justiça Federal. Localizado no assentamento Normandia, no município de Caruaru, o Centro foi criado em 1998 e sempre esteve voltado para educação popular, formação de professores, formação de coordenadores e, em especial, na tarefa fundamental da transição para agroecologia.

O parlamentar lamentou que no pedido feito à Justiça o Incra tenha solicitado a derrubada do prédio do Centro, além da morte dos animais que lá se encontram e a destruição de todos os plantios existentes ao redor do Centro. “Esta escola de formação já existe há mais de 20 anos e já formou milhares de jovens, em convênio com a universidade e institutos federais, prefeitura, movimentos sociais e sindical”, disse.

João Daniel classificou a medida como uma arbitrariedade e um atentado à democracia. Segundo o deputado, mobilizações serão realizadas e também será feita uma denúncia do caso à Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara. “Já falamos com o presidente Helder Salomão para fazer essa denúncia internacionalmente, a não ser que o juiz e o Incra revertam essa decisão e retire essa arbitrariedade contra o povo de Pernambuco. A nossa esperança é que o juiz reveja essa decisão”, acrescentou.

Na época em que foi criado, foi o Incra que orientou o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) a utilizar a casa sede para o funcionamento do Centro, para que nele fosse prestada capacitação coletiva aos assentados daquele estado. Segundo o movimento, tudo sempre foi feito dentro da legalidade, com apoio do Incra.

“Passamos a fazer a construção do Centro com apoio de outras organizações através de campanhas, parcerias com várias entidades. Nesses anos construímos os alojamentos, fizemos o auditório, para termos hoje o espaço de formação constituído e disponível para os trabalhadores e trabalhadoras. Jamais alcançaríamos a consolidação de uma estrutura com essa dimensão política, social, pedagógica, se não houvesse parcerias com o Governo do Estado que fez Academia da Cidade e a Quadra Esportiva, tivemos parcerias com a prefeitura de Caruaru, com as Universidades.  Nós não iríamos fazer tudo isto se estivesse ilegalmente, tudo foi construído dentro de uma legalidade, em comum acordo com as regras, estruturas e instruções interna do Incra”, diz nota divulgada pelo MST.

O Centro de Formação Paulo Freire sempre esteve voltado para educação popular, formação de professores, formação de coordenadores e em especial na tarefa fundamental da transição para agroecologia. Já foram realizadas 38 turmas do Curso Técnico de Práticas em Agroecologia (Pé no Chão), onde foram formados mais de 1.500 assentadas/os e acampadas/os em produção de alimentos saudáveis.

Por Edjane Oliveira

Foto assessoria

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