Huse registra 46 vítimas de queimaduras por fogos de artifício no período junino

Huse registra 46 vítimas de queimaduras por fogos de artifício no período junino
julho 01 11:19 2019 Imprimir Conteúdo

40% dos acidentes foram de crianças e 60% dos casos foram amputações, número três vezes mais que o registrado no ano passado

De 1 a 30 de junho, o Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), unidade gerenciada pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) registrou 71 atendimentos a vítimas de queimaduras de forma geral. Desse total, 46 foram vítimas de queimaduras por fogos de artifício nos períodos de São João e São Pedro (23 e 24, 28 e 29) respectivamente. Ao contrário do ano passado, quando o número de crianças chegava a 50% das vítimas queimadas por fogos de artifício, esse ano houve uma redução para 40% de crianças e adolescentes que manusearam fogos.

Um fato que chamou atenção foi o número de amputações por fogos de artifício com alto teor explosivo, chegando a 60%, três vezes mais que o registrado no ano passado, 2018. De acordo com a referência técnica da Cirurgia Plástica no Huse, Moema Santana, os dados gerais são bem semelhantes aos do ano passado e os pais atentaram para os alertas que foram repassados ao longo do mês. Já os adultos não se preveniram como deveriam.

“O ideal é que evitem oferecer fogos com alto teor explosivo para crianças. Esse ano, graças a Deus, já tivemos uma redução. Foram 18 crianças atendidas vítimas de queimaduras por fogos e 28 adultos que desobedeceram as orientações e não usaram equipamentos de segurança. No ano passado foram 45 vítimas por fogos de artifício e esse ano foram 46 casos. Já as amputações foram três vezes maior que o ano passado e chegou a 60%. Foram casos com traumas em mãos associados a amputações ou fraturas”, explicou a médica.

Um fato que chamou atenção foi o número de amputações por fogos de artifício com alto teor explosivo, principalmente na noite da véspera de São João. Foram registrados 27 traumas em mãos associados a amputações ou fraturas, dentro dos 46 pacientes vítimas de fogos de artifício. As sequelas de uma queimadura são graves e em amputação é irreversível.

Vítimas

O pedreiro Sérgio Alves, foi vítima de queimadura durante o São João. Ele caiu em uma fogueira. “Foi um susto tremendo que eu passei, mas graças a Deus fui rápido e consegui me levantar muito rápido. Queimei parte do braço direito e levemente no rosto”, disse.

Já o jovem Graciliano Santos estava soltando uma “espada” e o artefato acabou queimando gravemente a mão direita do rapaz. “É a primeira vez que me queimo. Já era acostumado a soltar esse tipo de fogos e mesmo sem luvas. Ele explodiu e por pouco não perco a mão. Foi um susto muito grande, mas em breve estarei em casa e recuperado”, declarou.

Preparativo

Todo um preparativo foi montado para receber as vítimas que chegaram pelo Pronto Socorro do Huse. Com a finalidade de garantir agilidade na assistência e desafogar o serviço no Pronto Socorro durante os festejos juninos, foi criada uma sala exclusiva para assistência imediata às vítimas de queimaduras. O espaço serviu de apoio à UTQ, funcionou do dia 21 ao dia 30 e foi uma área destinada a essa demanda específica ainda na primeira porta de acesso ao hospital.

Além disso, uma equipe multidisciplinar formada por cirurgiões plásticos, enfermeiros e técnicos de enfermagem estive de plantão 24h para atender a demanda de queimados que chegaram ao hospital. A estrutura da UTQ também contribuiu para a assistência desses pacientes. Foram 14 leitos, sendo quatro pediátricos, dois semi-intensivos e oito para adultos, alguns leitos reservados na enfermaria da Ala D, além de um centro cirúrgico para a realização de curativos e pequenos procedimentos.

Foto: Flávia Pacheco

ASCOM SES

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