Engenharia genética: Biomédico  desenvolve pesquisas sobre câncer

Engenharia genética: Biomédico  desenvolve pesquisas sobre câncer
agosto 17 15:49 2020 Imprimir Conteúdo

Com atuação no Centro Internacional de Pesquisa Clínica do University Hospital Brno e no CEITEC, Zeni desenvolve projetos de pesquisa de ponta na área de saúde para detecção precoce de câncer, de exames mais rápidos e baratos.

Da pressão para decidir a futura carreira à decisão por Biomedicina foram muitas dúvidas. Para Pedro Zeni, definir por um curso que duraria de três a seis anos, antes de sair do ensino médio, foi uma jornada, principalmente, de autoconhecimento.

“É uma decisão importante para um adolescente. Eu sempre gostei muito do curso de Biologia, mas não gostava da ideia de estudar plantas e animais no geral. Por outro lado, adorava entender mais sobre as doenças, entretanto a ‘grade’ de Medicina não me agradava pois continha coisas que não me interessavam, como por exemplo, cirurgia”, confidencia.

Para guiar essa busca, Zeni procurou em um site todas as profissões catalogadas, de A à Z, no Brasil e de imediato houve identificação com a de perito criminal. Envolvia ciência, investigação e genética forense, mas logo se deu conta que não havia um curso específico na área e que para seguir carreira seria necessário graduação em nível superior. A indicação era Biomedicina.

“Quando comecei a ler sobre a Biomedicina, imediatamente sabia que este era meu curso. Desde aquele dia me considerei um Biomédico. Biomedicina traz matérias de ciência básica como microbiologia, bioquímica, imunologia, biologia molecular entre outras. Ao mesmo tempo oferece um olhar para área da saúde, tendo como extensão as mesmas matérias, mas agora como microbiologia clínica, bioquímica clínica, imunologia clínica etc. Era tudo que buscava para saciar minha curiosidade de como funciona o corpo humano, os agentes patológicos, e principalmente entender quais os mecanismos que estão por trás de cada doença”, revela.

Movido pela curiosidade e do tipo que não aceitava respostas vagas, o egresso da Unit foi impulsionado a tentar uma vaga no Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP). Aceito no Laboratório de Planejamento e Promoção da Saúde (LPPS) esteve sob a orientação da Dra. Cristiane Oliveira. Neste grupo teve oportunidade de realizar um trabalho sobre anemia falciforme em comunidade quilombola para a dissertação da Dra. Ruth Torres.  Com o avanço do curso houve interesse em Fisiologia e, principalmente, Patologia.  A afinidade foi tanta que no semestre seguinte, entrou para monitoria e viveu uma das melhores experiência na academia.

“Durante o curso nós vamos descobrindo quais disciplinas temos mais aptidão ou interesse. Lembro que durante as férias fiz inscrição para um curso online de Biotecnologia. Esse momento me abriu os olhos para uma nova área aplicada à saúde e a possibilidade de abrir portas para o que os chamados Biofármacos (vacinas, anticorpos monoclonais, insulina recombinante etc). Neste mesmo período fiz vários cursos online de universidades como Emory University, Rice University, Columbia Univesity, MIT, Harvard pela plataforma do Coursera ou Edx.  Estes cursos me fizeram perceber a profundidade das matérias que já estava estudando no curso de Biomedicina e me despertaram a necessidade de aprender a ponto de ser competitivo. Afinal, a matéria é a mesma aqui e em Harvard. Foi neste momento que passei a me inclinar para o campo da Biologia Molecular”, registra.

Foi o ponto de partida para investir no objetivo de entrar para o laboratório de Biologia Molecular do ITP e garantir uma vaga sob a supervisão da Dra. Maria Lucila Hernández. Trabalhou com Biologia Molecular de microrganismos por um tempo e logo surgiu uma oportunidade que, definitivamente, iria mudar a sua carreira.

“Recebi um convite de realizar parte de uma pesquisa para aplicar nanopartículas em células de melanoma com intuito de uma terapia fotodinâmica. Durante este trabalho fui para Campinas (SP) para realizar boa parte do trabalho no Hospital Boldrini, o que me fez   perceber o quanto  gostava de Biologia Molecular e da Pesquisa e, por isso, escolhi fazer a segunda habilitação do Biomédico no campo da Biologia Molecular em  Salvador(BA), onde ingressei no grupo que estudava retrovírus no Laboratório de Hematologia, Genética e Biologia Computacional (LHGB), na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)”,conta.

“Aprendei muitas técnicas de Biologia Molecular neste laboratório e bastante coisa sobre HIV e do HTLV. No entanto, ao visitar o curso de Oncologia Molecular no Instituto de Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), me dei conta de que havia uma enorme lacuna de conhecimento a respeito dos mecanismos moleculares que levavam ao câncer. Desde então, decidi aplicar o conhecimento da Biologia Molecular ao campo da Oncologia. Quando terminei meu curso de Biomedicina, passei para Mestrado no programa de Biologia Funcional e Molecular da Universidade de Campinas (UNICAMP) a convite do Dr. Pedro Lima no laboratório de Imunoengenharia do Hospital Boldrini”, completa.

Foram mais de dois anos de muito trabalho e aprendizado. Começou vinculado a um projeto para geração de terapias celulares com receptores de antigos quiméricos (CAR-T Cell Therapy) que consiste em coletar as células de defesa (linfócitos T) dos pacientes, e através de engenharia genética, modificar estes linfócitos T para expressar um receptor artificial contra determinado câncer.

“Entendi o quanto é importante toda a bagagem dos conhecimentos básicos em imunologia, bioquímica, virologia e biologia molecular para realização de um projeto tão complexo. Ainda no Hospital Boldrini, estudei mais a fundo como os Linfócitos T mudam sua preferência por variantes de splicing durante sua ativação. Depois de terminar meu Mestrado na UNICAMP, decidi por PhD no exterior e consegui uma vaga em Brno, República Tcheca, na Europa. No final de 2018, iniciei meu PhD no Central European Institute of Technology (CEITEC) filiado a Masaryk University”, conta .

Atualmente, Pedro Zeni realiza trabalho no CEITEC e no University Hospital Brno para entender melhor os mecanismos os quais RNAs não codificantes influenciam na patogenicidade de malignidades de Células B, em especial leucemia linfocítica crônica (LLC). Recentemente, participou de um dos maiores encontros de LLC do mundo, no qual diversos cientistas usam de seus conhecimentos para combater uma única doença.

“Acredito que o curso de Biomedicina, sem dúvidas alguma, é um dos cursos que mais nos dão o arcabouço para entender e combater as doenças que assolam nosso dia a dia. Biomedicina é um curso lindo e me orgulho bastante em dizer que sou biomédico”, finaliza.

Assessoria de Imprensa

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