Endometriose: Dúvidas tiradas em palestra na Escola do Legislativo

Endometriose: Dúvidas tiradas em palestra na Escola do Legislativo
março 30 08:13 2019 Imprimir Conteúdo

Por Aldaci de Souza

O deputado Georgeo Passos (REDE) promoveu na manhã desta sexta-feira, 29 no auditório da Escola do Legislativo, uma palestra como parte da programação alusiva à Semana de Prevenção a Endometriose e Infertilidade, realizada por meio da Lei nº 8.438/2018, de sua autoria.

“Recebemos informações por parte de amigas que sofrem com essa doença crônica que causa fortes dores, levando algumas vezes as mulheres a desmaiar e percebemos a necessidade de discutir as causas e formas de tratamento. Com isso promovemos essa audiência com especialistas no assunto, a exemplo da médica ginecologista da Assembleia Legislativa de Sergipe, Drª Scheila Caldas Amado”, ressalta destacando que a palestra foi pensada com a finalidade de conscientizar e levar informações à sociedade.

A médica ginecologista e especialista em colposcopia e sexologia clínica, falou sobre o tema “Abordagem Sobre a Endometriose e Infertilidade”. Segundo ela, a endometriose é constatada quando pedacinhos do endométrio (tecido que reveste o interior do útero) estão fora da cavidade uterina, ou seja, em outros órgãos da pelve: trompas, ovários, intestinos e bexiga.

“A mulher com endometriose tem cólicas muito intensas, constantes e incapacitantes de fazer alguma função no dia a dia, seja ela no trabalho, na família ou social. É uma doença diagnosticada nas mulheres adultas, porém já se sabe que é uma doença da adolescente também”, ressalta.

Scheila Caldas alertou que algumas vezes as dores fortes sentidas por mulheres com endometriose não estarem ligadas à menstruação. “É possível sentir essa dor pélvica independente de estar menstruada, podendo ter relação com o ato da defecação, só que no período menstrual  ela fica aflorada; outra queixa muito comum é a dor na relação sexual e não é logo que penetra, ela é mais profunda como se o pênis tivesse tocando alguma coisa”, esclarece lembrando que também pode haver dor forte quando a bexiga está cheia.

Sobre a relação entre endometriose e infertilidade, a médica enfatizou: “todo o futuro, planos, projetos e sonhos, podem ser interrompidos em virtude da endometriose”.

Scheila Caldas acrescentou que muitos profissionais e a própria família usam o senso comum e com isso a doença demora mais para ser detectada. “Muitas vezes as mães dizem ser assim mesmo, que as dores são comuns”, lamenta.

Quanto ao tratamento, ele disse ser muito caro. “A endometriose é uma doença muito cara para todo mundo; para o sistema público de saúde (o acesso é pouco) e os planos particulares encarecem, inclusive seguros de saúde podem não querer mais a paciente porque os exames são caros, demandam dinheiro; um impacto econômico”, diz acrescentando ser uma doença de diagnóstico recente, da mulher moderna, que pode ser fechado com a realização de exames invasivos que já são feitos em Sergipe por profissionais capacitados e treinados.

Entre os exames para diagnosticar a doença estão: pélvico com toque vaginal e retal, ultrassonografia transvaginal, ressonância magnética e laparoscopia (cada vez menos usada) em virtude dos avanços dos exames de imagens.

As opções de tratamento incluem, o uso de medicamentos para controlar a dor e minimizar a progressão da doença, cirurgia para retirar as áreas afetadas pela endometriose e para as pacientes que não desejarem ter filhos, a cirurgia radical – histerectomia com retirada dos dois ovários.

“Hoje a mulher tem filhos mais tarde, tem menos filhos, amamenta menos e menstrua mais. A estimativa é de que 6 milhões de brasileiras sofram com a doença, informa lembrando ser baixíssima a relação da endometriose com o câncer e que a estimativa é de que 6 milhões de brasileiras sofram com a doença.

Práticas complementares

A segunda foi ministrada por Simone Maria Leite Batista, enfermeira sanitarista, coordenadora do Movimento Popular da Saúde em Sergipe, conselheira nacional de saúde e representante da Articulação Nacional de Movimentos e Práticas de Educação Popular e Saúde (ANEPS).

Ela abordou o tema: “A Endometriose e as práticas integrativas e complementares da saúde”.

Simone Leite destacou as mudanças de hábitos alimentares e atividades físicas visando a obtenção de uma melhor qualidade de vida e ensinou tipos de tratamento que podem melhorar as dores de mulheres que sofrem com a endometriose, a exemplo da ingestão de chás, aplicação de argila no abdome e exercícios como pilates e reikis (técnica terapêutica que promove a saúde física, mental, emocional e espiritual).

“A endometriose pode ser tratada com a melhora da imunidade e para isso, é preciso uma alimentação à base de vitaminas, cereais integrais e vegetais crus. Consumir alimentos com fibras também é muito importante, principalmente se o tecido endometrial tiver invadindo a região do intestino. Temos alguns tratamentos naturais que podem ser administrados à base de frutas e legumes, entre eles, o suco de abacaxi com maçã, chás de camomila, de gengibre, de sementes de linhaça, além do uso do açafrão da terra ou cúrcuma, um dos melhores remédios caseiros para a endometriose”, ensina.

O evento contou ainda com relatos de mulheres cuja doença foi detectada, a exemplo de Gilvânia Dantas da Conceição Pereira que fez um relato dando conta de que sofreu muito até conseguir fechar o diagnóstico.

Foto: Jadilson Simões

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