Em entrevista, infectologista aponta falhas e alerta para os riscos da flexibilização

junho 30 09:59 2020 Imprimir Conteúdo

Na noite desta segunda-feira, 29, o vereador Cabo Amintas (PSL) apresentou mais uma live do seu programa “Nas Ruas”, divulgado em suas redes sociais. Conversou com Matheus Todt, médico infectologista, professor do curso de medicina da Unit, que passou algumas orientações sobre a pandemia da covid-19.

Amintas iniciou a entrevista perguntando ao infectologista qual a visão dele em relação ao número de infectados em Sergipe. Matheus Todt explicou que o número de casos deve aumentar por conta da flexibilização do comércio e que pretende sensibilizar as pessoas quanto aos riscos de contágio com o baixo número de leitos disponíveis.

“Quero aqui sensibilizar as pessoas para que saibam os riscos que correm. Infelizmente, estamos em uma situação muito grave. As pessoas não estão dando importância à magnitude da situação. Atualmente, Sergipe teve mais óbitos por covid-19 que todos os estados do sul do país. Essa pandemia é inesperada, nunca imaginamos que chegasse uma infecção tão grave e provavelmente não vai ser a única, talvez daqui a 10 ou 15 anos apareça outra pandemia só espero que não seja tão grave quanto essa, mas são as consequências do mundo moderno. Agora existe um despreparo da administração pública que está fazendo as coisas de forma equivocada, estamos em um país que teve mais tempo para se preparar e estamos fazendo tudo errado. As próximas semanas não serão boas, com a flexibilização o número de infectados vai aumentar, ainda não chegamos no pico de contágios. Quando deveríamos falar em ‘lockdown’ estamos fazendo a flexibilização”, disse Todt.

O vereador continuou questionando a opinião técnica do infectologista sobre o Hospital de Campanha de Aracaju, única capital do país que não construiu mais leitos de UTI.

Matheus comentou que “infelizmente, o Hospital de Campanha é insuficiente, o que mais precisamos são os leitos equipados para o tratamento e não temos. Na verdade, temos um Hospital de Campanha atrasado, que só abriu no meio de uma curva epidêmica, não atende às nossas necessidades e não tem perspectiva de receber UTIs. É uma situação muito complicada. Ninguém está confortável de ficar em casa, perdendo trabalho, tem pessoas passando por situações críticas, mas o governo dizer que já podemos voltar aos poucos à vida normal, flexibilizar o comércio é para iludir as pessoas que vão se expor aos riscos da doença. Isso deve ser informado, que as pessoas estão colocando a vida em risco e elas podem decidir se vão para as ruas ou não. Se o município garantisse que teremos leitos de UTI para todo mundo poderia flexibilizar, mas o ideal seria esperar a curva de contágio diminuir para retomar as atividades”, explicou.

Amintas sugeriu que ao invés de gastar o dinheiro federal para o combate à pandemia na construção do Hospital de Campanha seria mais eficaz alugar hotéis e transformar os quartos em leitos de UTI, ou equipar a maternidade Hildete Falcão que estava vazia, o que traria também, melhores condições de trabalho para os profissionais da saúde.

O médico concordou e acrescentou “essa ideia foi implantada na China, isso era uma coisa muito mais sensata a se fazer. Talvez desse uma estrutura melhor e a possibilidade de criar novos leitos de UTI. Isso que você falou, Amintas, não é nenhum devaneio, é uma boa ideia que deu certo lá na China. Era uma medida que beneficiária também os profissionais do turismo, uma medida que viria a calhar bem”, relatou.

Por fim, Amintas questiou qual seria o problema do estado de Sergipe, já que possui muitos profissionais que querem trabalhar, possui o dinheiro para o combate à pandemia e o número de infectados e mortos só aumenta. O que falta para Sergipe?

“Não sei o número exato de profissionais disponíveis e qualificados para o trabalho, mas o déficit de trabalhadores provavelmente não é o problema. O problema é não contratar esses profissionais, o problema é administrativo. Essa é uma situação em que a gente podia transcorrer de forma mais tranquila, com menos mortes, menos impacto financeiro”, afirmou Matheus Todt.

Fonte: Assessoria de imprensa do vereador Cabo Amintas

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