A direita derreteu em Aracaju

A direita derreteu em Aracaju
novembro 16 08:36 2020 Imprimir Conteúdo

Por Adiberto de Souza

O eleitor aracajuano deu um chega pra lá nos candidatos da direita radical. O falastrão Rodrigo Valadares (PTB) ficou pelo caminho na disputa pela Prefeitura de Aracaju, fracasso repetido pelos também prefeituráveis direitistas Lúcio Flávio (Avante), Paulo Márcio (DC), Georlize Teles (DEM) e Almeida Lima (PSTB), este último votado por apenas 572 eleitores. Uma vergonha! Na eleição para a Câmara de Vereadores da capital, a turma da direita também deu com os burros n’água. O mais bolsonarista dos candidatos, empresário João Tarantela (DEM), não passou de minguados 865 votos. E para matar de raiva os machistas e homofóbicos, o eleitor aracajuano elegeu a candidata trans Linda Brasil (Psol) como a vereadora mais votada. Portanto, o resultado do pleito deste domingo deixou claro que a capital sergipana não apoia políticos extremistas, principalmente aqueles que preferem apostar no ódio à cultivar sonhos. Deus seja louvado!

Resultado agrada

Tão logo a Justiça Eleitoral anunciou o resultado das eleições em Aracaju, o prefeito Edvaldo Nogueira (PDT) agradeceu aos eleitores pelos 45% dos votos válidos a seu favor: “Tivemos mais que o dobro da segunda colocada. Isso só mostra que os aracajuanos e aracajuanas querem continuar no caminho do progresso, do desenvolvimento e, acima de tudo, da melhoria da qualidade de vida das pessoas”, discursou. O pedetista disse, ainda, que chegou ao 2º turno renovado e confiante na reeleição. Então, tá!

Fila do pão

Injuriada com a acidez das críticas que o prefeiturável do PTB lhe fazia, a candidata Danielle Garcia (Cidadania) questionou: “Quem é Rodrigo Valadares na fila do pão?”. Será que agora, precisando de apoio no 2º turno das eleições de Aracaju, a delegada cidadanista vai às padarias da cidade tentar encontrar Rodrigo na fila do pão para lhe pedir ajuda? Aliás, ela e ele podem aproveitar para fazer as pazes, enquanto saboreiam um pão quentinho, recheado com manteiga de fazenda. Misericórdia!

O naufrágio do PT

Como já era esperado, a candidatura do PT a prefeito de Aracaju foi pro brejo. Ao contrário do que alardeava o marketing petista, Márcio Macêdo estacionou na quarta posição, tendo obtido apenas minguados 25 mil votos, bem aquém dos quase 120 mil dados ao candidato à reeleição Edvaldo Nogueira (PDT). Resta saber para qual lado o PT penderá agora no 2º turno. Tomara que não queira imitar o PSDB, ficando em cima do muro, nem se desmoralize de vez, apoiando a prefeiturável de direita Danielle Garcia. Será que, descabreada, a turma do PT vai bater na porta do prefeito pedindo desculpas “pela vergonha que passei”. Home vôte!

Sarapatel de partidos

Quem ganhar as eleições para a Prefeitura de Aracaju vai precisar de muito jogo de cintura para conquistar a maioria na Câmara de Vereadores. Os 24 futuros parlamentares estão distribuídos por 16 legendas: PSOL (1), Patriota (1), PSD (3), Republicanos (2), DEM (1), PDT (3), PSC (2), PP (2), Cidadania (2), Pros (1), Rede (1), PT (1), PCdoB (1), Solidariedade (1), Pode (1), PMN (1). Como se percebe, as siglas que melhor se saíram nas urnas só conseguiram eleger três vereadores, cada. Isso é o que se pode chamar de um verdadeiro sarapatel de partidos. Crendeuspai!

Notícia nacional

A vereadora eleita Linda Brasil (Psol) conquistou generosos espaços na imprensa nacional pelo fato de ser a primeira vereadora trans de Aracaju. Graduada em Letras Português-Francês e mestra em Educação pela Universidade Federal de Sergipe, a futura parlamentar defende o fortalecimento de políticas para mulheres, o combate à violência contra a mulher, ações educativas e de saúde e a proteção aos patrimônios culturais materiais e imateriais da cidade. Nas eleições de 2018, Linda Brasil disputou uma cadeira na Assembleia Legislativa, tendo obtido 10.107 votos, insuficientes para se eleger. Marminina!

Elas têm a força!

A partir de 2021, a vereadora Emília Corrêa (Patriota) não será mais a única voz feminina na Câmara de Aracaju. O pleito de ontem na capital elegeu, além da própria Emília, Linda Brasil (Psol), Sheyla Galba (Cidadania) e professora Ângela Melo (PT). Um avanço em relação às eleições de 2016, quando foram eleitas Emília e Kitty Lima (Cidadania). Esta última, porém, só passou dois anos na Câmara por ter sido eleita deputada estadual em 2018. A futura bancada feminina pode perder Sheyla Galba caso ela, na condição de primeira suplente, decida substituir o deputado estadual Dilson de Agripino (Cidadania), que se elegeu, ontem, prefeito de Tobias Barreto. Aguardemos, portanto!

Nem o mel, nem a cabaça

E o prefeiturável aracajuano Márcio Macêdo (PT), foi derrotado duas vezes. Não passou para o 2º turno da capital e assistiu a derrota do candidato a prefeito de Lagarto, o deputado federal Fábio Reis (MDB). Caso o emedebista tivesse derrotado a prefeita Hilda Ribeiro (SD), Márcio o substituiria no Congresso por ser o 1º suplente da coligação. Quem também perdeu a chance de virar deputado federal foi o vereador reeleito de Aracaju, Elber Batalha Filho (PSB). Ele torceu muito pela vitória do deputado federal Fábio Henrique (PDT) em Socorro, contudo este foi derrotado pelo atual prefeito Padre Inaldo (Progressista). Vixe!

Não é mais o mesmo

O ex-governador Jackson Barreto (MDB) não conseguiu eleger para a Câmara de Aracaju seu pupilo Everton Souza (PDT). Com apoio e tudo de JB, o rapaz teve 2.298 votos, ficando como 2º suplente do partido. Tão logo a Justiça Eleitoral divulgou o resultado das urnas, os adversários de Jackson começaram a espalhar que ele não é mais o mesmo. Segundo as más línguas, foi-se o tempo em que o ex-governador elegia na capital até um poste com a lâmpada queimada. Cruzes!

Recorte de jornal

Publicado no jornal aracajuano A Tribuna, em 13 de janeiro de 1932.

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