Deputados temem agravamento da crise econômica de Sergipe

Deputados temem agravamento da crise econômica de Sergipe
setembro 27 06:45 2019 Imprimir Conteúdo

Durante o debate realizado no plenário da Assembleia Legislativa, proposto pela deputada estadual Maria Mendonça (PSDB), na manhã dessa quinta-feira (26), os demais parlamentares externaram a preocupação com o agravamento da crise econômica do Governo caso se concretize o encerramento das atividades do escritório da Petrobras em Sergipe. Além do temor quanto ao aumento do desemprego, os parlamentares avaliam que as perdas financeiras tendem a tornar mais difícil o desenvolvimento do Estado.

O deputado estadual Iran Barbosa (PT) avalia os prejuízos contabilizados como “irreparáveis” e defendeu uma mobilização dos Poderes Legislativos, dos Estados do Nordeste, para promover uma grande discussão, um debate amplo, formalizando um documento defendendo a Petrobras e as riquezas nacionais para ser protocolado no Palácio do Planalto e no Ministério de Minas e Energia. “Qualquer pessoa que conheceu a realidade de Sergipe antes e depois da Petrobras sabe que seu fechamento terá um impacto devastador na nossa economia”.

“As perdas são amplas, são muito grandes! O setor de petróleo é muito complexo, é amplo e tem toda uma cadeia que depende dele. Fazendo uma análise econômica detalhada, a desmobilização da Fafen, por exemplo, já tem um impacto muito grande. O prejuízo atinge desde o pequeno vendedor que comercializava na porta da fábrica como em grandes setores da economia. É preciso entender a complexidade do problema”, completou Iran Barbosa.

O líder da bancada de oposição na Assembleia Legislativa, deputado estadual Georgeo Passos (Cidadania), entende que o provável fechamento do escritório da Petrobras em Sergipe vai ter um impacto muito negativo. “Basta você verificar a cadeia que é movimentada pela Petrobras. Temos várias prestadoras de serviços, vários produtos são comercializados e, se ela realmente sair do nosso Estado, todo esse mercado vai para outra unidade da Federação e quem vai perder no final somos nós sergipanos”.

Georgeo lembrou ainda que a economia de Sergipe já se encontra “em frangalhos” e que espera que a decisão (sobre o fechamento) seja reavaliada. “Vamos começar a explorar gás em grande quantidade e seria interessante que a Petrobras aqui permanecesse. São mais de mil pessoas que estarão desempregadas, os concursados serão transferidos ou devolvidos para outros Estados”, disse, alertando para redução no PIB (Produto Interno Bruto) sergipano com a saída da estatal.

Por sua vez, a deputada estadual Goretti Reis (PSD) “aumentou a trincheira” dos parlamentares que temem o pior para a economia de Sergipe com o fechamento do escritório da Petrobras. “São centenas de postos de trabalho perdidos, o que representa que essas pessoas vão desocupar as escolas, os planos de saúde, vão deixar de consumir nos nossos mercados. Estamos diante de uma crise econômica e deveríamos estar discutindo mais investimentos”, disse, defendendo uma discussão ampla, no Congresso Nacional, para tratar sobre o tema.

Em seguida, a parlamentar pontuou que os recentes escândalos envolvendo a Petrobras, com desvios de recursos públicos, dificultam uma reflexão mais ampla por parte de setores da sociedade. Ela defendeu que é preciso “força política” para manter o escritório em Sergipe e “transparência” para transmitir credibilidade sobre o que está sendo produzido. “A Petrobras é uma empresa de suma importância para a economia do País. Imagine para Sergipe? A crise pela qual passamos tende sim a se agravar com esse fechamento”.

Outro deputado que se manifestou extremamente preocupado com a situação do possível fechamento foi Luciano Pimentel (PSB). Segundo ele, que apresentou um gráfico durante o debate em plenário, sobre a produção de petróleo no Estado, uma das principais preocupações está no desemprego. “Nós temos cerca de 1,2 mil trabalhadores com uma renda média salarial alta. Isso vai impactar em escolar, supermercados, transportes, venda de veículos”, comentou, dizendo que este problema já vinha sendo sinalizado pelos governos anteriores.

Luciano Pimentel acrescentou que este “risco” já vinha sendo alertado desde 2015. “Todos os anos nós mostramos aqui. Nós saímos de uma produção de 14 a 15 milhões barris de petróleo para produzirmos algo em torno de três milhões de barris até o meio desse ano. Isso era previsível e, infelizmente, a classe política não deu a devida importância”, lamentou, reforçando que deveria ter se buscado uma interlocução junto ao governo federal. “Já vinha sendo colocado que o custo operacional era alto e que estava se produzindo muito pouco. Agora que temos ciência do prejuízo, temos que buscar uma solução”.

Por Habacuque Villacorte – Rede Alese

Foto: Jadílson Simões

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