De Umbaúba a Umbaúba – da indignação seletiva à hipocrisia.

junho 03 15:11 2022

 

Por Coronel Rocha

É de conhecimento público a tragédia ocorrida em Umbaúba, Sergipe, no final do mês de maio, onde numa abordagem policiais da PRF ocasionaram a morte do senhor Genivaldo de Jesus Santos.

Não tenho dúvidas que a justiça alcançará os policiais envolvidos e que as sanções serão duras, administrativa e penalmente.

Lamentamos profundamente a morte de Genivaldo e externo meu profundo pesar e a mais profunda solidariedade aos familiares.

De igual forma e guardada as devidas proporções, os familiares dos policiais devem estar passando maus momentos e à estes também me solidarizo.

Mas não dá pra ficar calado diante de tanta hipocrisia, tanta indignação seletiva, tanto aproveitamento político de uma morte.

A última foi a manifestação pública da bancada federal de Sergipe cobrando do Ministro da Justiça, por ofício, o afastamento, a expulsão e severa condenação dos PRFs envolvidos no crime. Não vou nem falar sobre as competências e a separação dos poderes executivo e judiciário.

O ofício é cheio de palavras bonitas, mas no fundo o desejo foi politizar ainda mais e obter possíveis dividendos políticos. Senão vejamos.

Esta bancada se manifestou quando da morte de dois PRFs no Ceará semanas antes do ocorrido em Sergipe? Não, e a resposta seria que uma ocorrência não guarda relação com a outra. É razoável.

Mas então voltemos no tempo cerca de dois anos, no mesmo município de Umbaúba, Sergipe, dezembro de 2020. Dois policiais civis, Marcos Luis Morais e Fabio Alessandro Pereira Lopes, foram barbaramente assassinados durante o serviço, ao entregarem intimações. Dias depois alguns envolvidos foram presos, outros morreram resistindo à prisão.

Pergunto.

A Bancada Parlamentar Federal do Estado de Sergipe enviou oficio para o Secretário de Segurança de Sergipe, para o Ministério Público, para o Tribunal de Justiça, solicitando celeridade no julgamento e penas severas para os envolvidos nas mortes dos policiais civis?

Guardada alguma manifestação individual de cada parlamentar federal, não creio que existiu, à época, tamanha preocupação coletiva com o assassinato dos colegas policiais civis.

Não me recordo do dia em que o MP ou a justiça brasileira tenham “pegado leve” com algum crime praticado por policiais, ao contrário, as penas sempre vem bem pesadas. Não se faz necessário “ofício” para que instituições cumpram seu papel.

Seria interessante constatar que, com a mesma veemência expressa no Ofício GDBC nº 057/2022, nossos parlamentares propusessem a elaboração de leis mais rígidas contra criminosos, mais celeridade no processo penal, maior efetividade no cumprimento das penas, regulamentação do artigo 144 da CF/88, que trata da segurança Pública, dentre outras legislações que minimizasse o sentimento de impunidade que todos nós brasileiros sentimos, principalmente quando se trata de crime praticados por políticos.

Que não façam como, por exemplo, fizeram com a Lei da ficha limpa, onde os deputados Bosco Costa, Fabio Reis, Fabio Henrique, Fabio Mitidieri, João Daniel, Laércio Oliveira e Gustinho Ribeiro, votaram a favor para permitir que políticos de “ficha suja” continuassem a se candidatar a cargo eletivo. O oitavo deputado estava ausente à votação.

Importante registrar que dos 11 parlamentares federais, apenas o Deputado Fábio Henrique não assinou o ofício ao Ministro da Justiça.

Não politizem a dor alheia.

 

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