Da perda de olfato ao AVC, a crescente lista de sintomas da COVID-19

Da perda de olfato ao AVC, a crescente lista de sintomas da COVID-19
Maio 22 09:47 2020 Imprimir Conteúdo

Profissionais da saúde buscam entender, em meio à evolução da doença, a também crescente diversidade de sintomas.

A COVID-19, doença causada pelo vírus Sars-CoV-2, tem surpreendido a todos com uma ampla gama de sintomas em diferentes regiões do corpo e uma alta variabilidade de apresentação entre os doentes.

Perda de paladar e olfato, fadiga extrema, tosse e perda de apetite são os sintomas mais preditivos de infecção por coronavírus.

Sintomas não habitualmente associados a uma doença viral respiratória, como diarreia, dor abdominal, conjuntivite, lesões de pele, perda ou alterações da fala e dos movimentos do corpo, também podem ser decorrentes da COVID-19.

Trata-se, portanto, de uma doença cuja lista de novos sintomas só aumenta e se transforma em motivo de preocupação para os profissionais da saúde. Entre as constatações, é sabido que quase dois em cada três indivíduos que testaram positivo para a COVID-19 relataram ter diminuição do olfato e/ou paladar, enquanto apenas cerca de uma a cada cinco pessoas que testaram negativo tiveram a mesma queixa.

“De uma maneira geral, os sintomas podem ser causados pela lesão direta do vírus, pela reação imune na tentativa de combater o vírus ou por uma resposta inflamatória exagerada do organismo que pode causar danos em todo o corpo mesmo sem a presença do vírus no local”, argumenta o médico otorrinolaringologista Nelson Almeida D’Ávila Melo, ao explicar a ligação entre a COVID-19 e as alterações do olfato e paladar.

Docente do curso de Medicina da Unit, o Dr. Nelson acrescenta que os mecanismos pelos quais ocorrem essas expressões morfológicas da doença ainda não foram completamente definidos, apesar de que o conhecimento na área evolui diariamente.
“Enquanto aguardamos mais respostas, podemos fazer um paralelo ao que foi previamente descrito em outras infecções virais respiratórias”, sugere o otorrinolaringologista para quem a perda do olfato pode advir de uma lesão direta à mucosa olfatória e/ou ao nervo olfatório.

Inflamação nasal com o consequente edema da mucosa e secreção nasal podem bloquear a entrada do ar e chegada das partículas odoríferas ao “teto” do nariz, local da mucosa olfatória especializada. A primeira hipótese é mais provável, pois muitos pacientes se queixam de baixa sensibilidade olfativa antes ou mesmo na ausência de obstrução ou secreção nasal.

A perda do olfato se inicia em média quatro a cinco dias após o início da infecção e se apresenta como primeiro sintoma em um a cada quatro indivíduos. Tem duração média de nove dias e, mesmo aqueles pacientes em que o sintoma persiste, quase 100% melhora após um mês de infecção.

A diminuição do paladar pode ocorrer como consequência direta da alteração do olfato já que 70% do paladar advém do olfato. Outro possível efeito viral é o dano direto às papilas gustativas ou aos nervos envolvidos na gustação.
Sobre a ligação entre COVID-19 e sintomas gastrointestinais, o Dr. Nelson pondera que cerca de 20% dos pacientes podem ter sinais.

“Isso ocorre, porque os receptores de superfície celular de uma enzima chamada enzima de conversão da angiotensina 2 (ECA2) utilizados pelo vírus para entrar no corpo humano são muito comuns no trato gastrointestinal”, explica o médico.
Aqueles que compartilham um banheiro devem ter o cuidado de limpá-lo cuidadosamente, usar um rolo de papel higiênico diferente e até fechar o assento, para que a descarga não disperse aerossóis de partículas virais.

Por fim, a análise feita pelo Dr. Nelson sobre os sintomas recorrentes que associa a relação ente COVID-19 e o AVC é que o acidente vascular cerebral ocorre quando há uma redução ou um bloqueio do suprimento sanguíneo para o tecido cerebral. Idade avançada, diabetes, colesterol alto, tabagismo e arritmia cardíaca são fatores de risco para um derrame (AVC).

“Uma hipótese é que o vírus Sars-CoV-2, que causa a COVID-19, pode induzir inflamação nas paredes dos vasos sanguíneos, ocasionando espessamento e formação de trombo que podem viajar pelo sangue até os vasos cerebrais, resultando em um tipo grave de acidente vascular cerebral até mesmo em pessoas sem os fatores de risco clássicos para AVC”, explica.

Os sintomas de alerta para um possível AVC são: dormência repentina ou perda de função em uma parte do corpo, como rosto, perna ou braço; outros sintomas agudos podem incluir fala arrastada, problemas de visão, dificuldade para caminhar, tontura, falta de equilíbrio ou coordenação e dor de cabeça intensa.

“Devemos manter um alto grau de suspeição para a COVID-19, reforçando o isolamento social e condutas de higiene logo que ocorra algum sintoma. Com a ajuda de um profissional de saúde, um exame diagnóstico pode ser solicitado”, finaliza o professor e médico Nelson Almeida.

Assessoria de imprensa/Unit

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