Covid-19: medidas de biossegurança devem ser mantidas mesmo após a imunização

março 08 10:47 2021 Imprimir Conteúdo

Apesar de estar em curso a campanha de imunização da população aracajuana contra a covid-19, sob a coordenação da Secretaria Municipal da Saúde de Aracaju (SMS), a população não pode descuidar dos cuidados preventivos ao novo coronavírus, mesmo as pessoas que já foram vacinadas: todos devem continuar usando máscara, mantendo o distanciamento físico e a constante higienização.

Apesar de a chegada da vacina proporcionar um alento após os longos meses de aflição, em meio à pandemia do novo coronavírus, os especialistas recomendam total atenção, sobretudo porque existe a “janela imunológica”, período que o organismo leva para produzir os anticorpos do imunizante.

Em média, o tempo mínimo para que o sistema imune possa dar respostas mais concretas contra a presença de qualquer patógeno é de 14 dias após receber a primeira dose da vacina. No entanto, cada imunizante tem seu próprio tempo médio para ativar o sistema imunológico, conforme descrito por seus fabricantes.

Ainda não há vacina 100% eficaz contra o coronavírus. É por isso surgiram casos de pessoas infectadas mesmo após receber o imunizante. A CoronaVac, vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica Sinovac Biotech, garante a redução pela metade (50,38%) dos novos registros de contaminação em uma população vacinada. Isso significa que de cada 100 pessoas, 50 não desenvolvem qualquer sintoma ao ter contato com o vírus.

Esta vacina assegura ainda a redução da maioria (78%) dos casos leves que exigem algum cuidado médico, e evita, em 100% dos casos, a possibilidade de a doença evoluir para um quadro de agravamento, o que é fundamental para evitar o colapso da rede de saúde, diminuindo a necessidade de internação.

A CoronaVac necessita, em geral, de duas semanas após a segunda dose para que a pessoa esteja protegida, já que esse é o tempo que o sistema leva para criar anticorpos neutralizantes que barram a entrada do vírus nas células, conforme esclarece o Instituto Butantan, parceiro do laboratório chinês Sinovac no desenvolvimento da vacina.

Ainda segundo o Instituto, uma quantidade maior de anticorpos pode ser registrada até um mês após o fim da vacinação, também variando de indivíduo para indivíduo.

A AstraZeneca, também utilizada na campanha de imunização em Aracaju, é capaz de atingir uma eficácia geral de proteção da ordem de 76% 22 dias após a aplicação da primeira dose. O percentual pode superar os 82% após a pessoa receber a segunda dose, de acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), responsável por produzir a vacina, no Brasil, em parceria com a farmacêutica e a Universidade de Oxford.

A revista The Lancet, onde o estudo foi publicado, indica eficácia de 70% em adultos com menos de 55 anos, além da capacidade de prevenção de 100% das hospitalizações e formas graves da doença, segundo o critério clínico preconizado pela Organização Mundial da Saúde.

“Ela tem o mesmo objetivo da CoronaVac, que é estimular o organismo a produzir anticorpos, deixando as pessoas protegidas das possibilidades de contaminação. Então, não podemos comparar CoronaVac com AstraZeneca/Oxford, pois os estudos foram feitos com populações diferentes”, explica a secretária da Saúde de Aracaju, Waneska Barboza.

Atenção para os cuidados

O uso de máscaras e a manutenção dos cuidados básicos de higienização (como uso do álcool 70%) continuam sendo essenciais, mesmo após o recebimento da segunda dose, para todos (idosos e trabalhadores).

A vacina não é um remédio, nem resolverá o problema como um “passe de mágica”, mas uma ação de saúde coletiva para evitar a propagação de doenças. Assim, é fundamental que a maior parte da população seja vacinada, cerca de 70%, para que o imunizante tenha um efeito concreto e a pandemia do novo coronavírus seja controlada.

De acordo com a infectologista da Secretaria da Saúde de Aracaju, Fabrízia Tavares, mesmo as pessoas vacinadas ainda precisam se atentar para a continuidade dos cuidados. Isso porque, explica a especialista, para atingir a imunidade coletiva, será necessário vacinar mais de 70% da população.

“Por isso, ainda não estamos no momento de relaxar as medidas preventivas. Temos visto, com o início da campanha de vacinação, uma percepção de que já finalizamos o período de pandemia ou que não precisamos mais tomar as medidas de precaução, mas é uma falsa sensação de segurança. Para que a vacina seja realmente eficaz, ela precisa que grande parte da população esteja vacinada para que exista a eficácia garantida”, pondera a infectologista.

Além disso, completa Fabrízia, a vacina não garante a esterilização, ou seja, a não transmissão do vírus, “ela protege contra o adoecimento, a morbidade”. “Portanto, temos que manter todas as medidas orientadas”, pontua, ao acrescentar que “o isolamento social faz parte das medidas que devem permanecer, junto com o distanciamento, junto com a lavagem constante das mãos, uso correto de máscara e álcool em gel”.

Informações e foto SMS

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