Chuvas contribuem para o aparecimento intenso de serpentes

Chuvas contribuem para o aparecimento intenso de serpentes
agosto 25 16:28 2020 Imprimir Conteúdo

Adema esclarece quais os cuidados prévios a população deve efetuar ao encontrar o réptil e como identificar quando é venenosa ou não

Elas inspiram respeito, admiração e medo. Há milênios, as serpentes de forma destemida têm acompanhado as mudanças do planeta. Com presença de períodos chuvosos, a Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema) constatou em suas ações externas o aparecimento recorrente da espécie nas áreas urbanas, assim como no interior do estado. Nos últimos quatro meses, o órgão ambiental recolheu 20 cobras através da entrega voluntária, resgate e apreensão.

Segundo o levantamento da última semana, foi registrada a entrada de setes serpentes no órgão ambiental. Os documentos informam que uma Salamanta (Espicrates Cenchria), uma Jiboia Arco-íris (Epicrates Cenchria Cenchria) e a exótica Corn Snake (Pantherophis Guttatus) surgiram a partir da entrega espontânea. Também houve o resgate de duas Jiboias Constritoras (Boa-Constritora) e outra Salamanta. Após a avaliação clínica, elas foram devolvidas aos seus respectivos habitats naturais e áreas de reserva vegetativa.

O médico-veterinário da Adema, Daniel Allievi, esclarece que o surgimento das cobras ocorre em virtude de dois fatores que caminham de forma paralela. “Nesse cenário temos em particular as ‘cobras da natureza’, espécies que saem do seu habitat natural para zona urbana devido ao alagamento dos seus ninhos ocasionados pelos fortes chuvas. Assim, elas procuram respirar melhor e buscam abrigos em áreas cobertas e secas. Além disso, as serpentes são definidas como seres de ‘sangue frio’ ou animais ectotérmicos, que necessitam de fontes externas de calor para regular e conseguir manter sua temperatura, ou seja, necessitam da exposição solar ou ficarem em algum local aquecido”, explica.

O veterinário destaca outra razão para o acréscimo nos números de serpentes apreendidas pela Adema. “Um fator importante para o aumento no registro desses animais são as denúncias da criação de forma irregular. De acordo com a Lei 6.514/2008, artigo 24, configura crime ambiental manter animais silvestres em cativeiro. Assim, para não correr o risco de receber multa, o indivíduo de posse irregular desse tipo de animal cada vez mais tem feito a entrega voluntária tanto de cobras nativas, quanto internacionais e de outros animais”, ressalta.

Daniel Allievi faz um alerta à população em caso de picada. “Ao ser picado por qualquer tipo de cobra, o cidadão deve ir imediatamente ao posto de saúde ou hospital mais próximo, relatar o caso, e, se possível apresentar uma foto do animal para um melhor diagnóstico. No Brasil são produzidos quatro soros antiofídicos, destinados para as cobras nativas: Jararaca, Cascavel, Surucucu e a Cobra Coral. Já em casos de cobras internacionais como a Corn Snake, é mais complicado, uma vez que o antídoto deve ser solicitado internacionalmente, por isso o cuidado deve ser redobrado, principalmente com as cobras venenosas”, orienta.

Ao se deparar com uma serpente, o cidadão deve acionar o Plantão da Adema 24h, através do contato (79) 99191-5535. Uma equipe de veterinários, biólogos e técnicos encontram-se aptos para realização do resgate. É importante também não manusear e dar algum tipo de alimento, pois isso pode prejudicar a saúde do bicho.

Informações e foto Adema

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