Cannabis medicinal: palestra na Alese explica benefícios e destaca avanços

Cannabis medicinal: palestra na Alese explica benefícios e destaca avanços
junho 10 04:19 2022

Apresentação conduzida pela médica Mirene Morais abriu diálogo sobre uso terapêutico da planta

“É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”. Citando o físico Albert Einstein, a médica Mirene Morais deu início à palestra sobre a utilização terapêutica da Cannabis sativa, no plenário da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), na quinta-feira (9). Certificada internacionalmente em Cannabis medicinal, ela explicou, com base em dados e estudos científicos, como a planta pode agir na melhora na saúde e na qualidade de vida de pacientes crônicos e neurológicos. Ela ainda destacou avanços ao redor do mundo e o atraso do Brasil no tema.

“A Cannabis para fins medicinais está revolucionando a medicina na atualidade e em todo o mundo. O potencial terapêutico da Cannabis é muito grande e age contra sintomas de diversas doenças humanas, como câncer, artrite, mal de Parkinson, glaucoma, epilepsia, esclerose lateral amiotrófica, entre outras”, explicou Mirene, que é pós-graduada em dor pelo Hospital Sírio-Libanês. “Além do tetrahidrocanabinol (THC) e do canabidiol (CBD), compostos mais conhecidos da Cannabis, a planta tem mais de 100 substâncias ativas, que vêm sendo pesquisadas há décadas. É uma grande riqueza”.

Durante a apresentação, proposta pela deputada estadual Maria Mendonça (PDT), Mirene ressaltou que o debate e as pesquisas a respeito da Cannabis medicinal crescem em países de todo o planeta, mas que no Brasil a discussão tem pouca tração. “Só em 2021, foram mais de 1.700 artigos científicos publicados no mundo sobre o uso terapêutico da planta. Além disso, vemos a regulamentação da utilização medicinal ocorrer em diversos países da União Europeia, Canadá, América Central e, inclusive, em toda a América Latina – apenas o Brasil está de fora, a custo de sofrimento de pacientes que poderiam ser tratados com a Cannabis medicinal”, afirmou a médica.

Além disso, Mirene ressaltou que embora desde 2015 a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) permita a importação e a venda de medicações à base de Cannabis, o acesso é restrito, principalmente pelo custo, e é necessária regulamentação para que os medicamentos cheguem a todos que precisam. “Habeas Corpus de cultivo individuais e coletivos se multiplicam pelo país por meio de Associações de pacientes que, junto a equipes multiprofissionais, unem-se para obter medicações com preços mais acessíveis. Tudo isso se dá pela falta do Estado mais atuante no tema”, sublinhou Mirene.

Para a médica, o preconceito é um dos principais fatores que travam o avanço da Cannabis medicinal no Brasil. Porém, ela lembrou que há registros do uso da planta de forma terapêutica na China que datam de três mil anos antes de Cristo. “Antigos impérios, países do continente africano, como o Egito, e a Índia, por exemplo, utilizam a Cannabis para fins medicinais. O Brasil, até o início do século passado, utilizava remédios e produtos à base da planta, que passou a ser criminalizada no mundo a partir de 1920, principalmente, por discriminação étnico-racial”, disse ela, destacando que esse preconceito impacta diretamente a saúde e qualidade de vida de diversos pacientes.

Acesso e legislação

A palestra contou ainda com a participação do advogado Maurício Lobo. Coordenador de Saúde Pública da unidade sergipana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), ele também atentou para a necessidade de regulamentação sobre o tema que assegure, através do Sistema Único de Saúde (SUS), o acesso a medicamentos à base de Cannabis para a população que pode ser beneficiada pelas medicações.

De autoria do deputado federal por Sergipe Fábio Mitidieri, tramita na Câmara dos Deputados desde 2015 o Projeto de Lei (PL) 399/2015, que regulamenta o plantio da Cannabis para fins medicinais e o comércio de medicamentos produzidos com compostos da planta no Brasil. Aprovado em comissão especial, o PL está parado desde 2021.

Foto Jadilson Simões

Por Kátia Santana

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