8 de março: mulheres protestam contra o governo de Bolsonaro em Sergipe

8 de março: mulheres protestam contra o governo de Bolsonaro em Sergipe
março 09 08:24 2019 Imprimir Conteúdo

 

Mulheres trabalhadoras, do campo, ribeirinhas e da cidade, negras, jovens, da periferia , e LGBTs, tomaram as ruas neste 8 de março para protestar contra reforma da previdência, que prejudica diretamente as trabalhadoras, e contra a violência que atinge as mulheres, sobretudo as mulheres negras.

Com o tema “Marielles, Margaridas, Yasmins e Laysas: livres da violência, do racismo e em defesa da aposentadoria”, o ato unificado do Dia Internacional da Mulher reuniu militantes dos movimentos sindicais, sociais, feministas, estudantes e ativistas.

As mulheres marcharam do bairro Japãozinho, na zona norte de Aracaju, passando pela empresa Almaviva no bairro Industrial, até o centro da capital, onde fizeram paradas na Assembleia Legislativa, no Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe e no INSS. A FETAM Sergipe participou da construção coletiva do ato e esteve presente durante a manifestação.

“O Dia Internacional da Mulher surgiu da resistência das mulheres trabalhadoras. Em diversos momentos, a organização das mulheres impulsionou transformações sociais que mudaram os rumos da história. E este 8 de março é um dia histórico, pois representa o início do levante da classe trabalhadora contra a reforma da previdência e contra o governo de Bolsonaro”, avalia a presidente da FETAM, Itanamara Guedes.

“É com a força e a coragem das mulheres que vamos derrotar este governo ultraliberal e ultraconservador. É com a força das mulheres que vamos clamar pelo direito à aposentadoria, mas também pela retomada do emprego, pela saída do Brasil do mapa da fome, por justiça, e por direitos”, completou a diretora de assuntos jurídicos da FETAM, Vanessa Ferreira.

As manifestantes exigiram da Assembleia Legislativa e do Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe políticas públicas de promoção da igualdade de gênero, de inclusão social das mulheres e para o enfrentamento à violência contra a mulher.

Memória e liberdade

“O ato foi realizado a memória de todas as mulheres brasileiras: das mulheres que resistem, que sonham e que lutam. Vamos permanecer exigindo justiça para o bárbaro assassinato de Marielle, que, prestes a completar um ano, ainda não foi solucionado. Também estamos reunidas em memória de Yasmin, Laysa e Margarida, todas assassinadas pela sua condição de mulher”, apontou a presidenta da FETAM.

Itanamara completa destacando a importância de se fazer a defesa da liberdade de Lula. Para ela, o golpe que começou no Brasil tem hoje um símbolo: a prisão injusta de Luís Inácio Lula da Silva. “Lula está preso para que a classe trabalhadora e as mulheres não possam ter acesso a direitos. Para que não tenhamos mais acesso à universidade, o direito à terra e à moradia”, argumentou.

Reivindicações

Durante o ato público, as mulheres entregaram uma carta de reivindicações ao Tribunal de Justiça e ao deputado estadual Iran Barbosa, que esteve no ato representando a todos os parlamentares estaduais e se comprometeu em levar todas as reivindicações a seus pares. Na próxima semana, a carta será entregue ao governador Belivaldo Chagas, à vice-governadora Eliane Aquino e ao prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira.

O documento – assinado por 58 organizações e movimentos sociais e sindicais e partidos políticos – reivindica pautas históricas do movimento feminista, considerando o cenário de retrocessos e de agenda ultraliberal que tem pautado o país. Entre estas pautas estão o funcionamento da Delegacia de Atendimento a Grupos vulneráveis 24h por dia, 7 dias por semana, bem como a implantação de DAGVs nas cidades polos do interior do estado; garantia que o IML realize Exames de Corpo de Delito no mesmo dia da Ocorrência; Programa de Geração de Emprego e Renda exclusivo para as mulheres desempregadas sergipanas; garantia de acesso e ampliação de creches e escolas públicas e o fortalecimento do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher.

Além disso, a carta prevê, entre outras reivindicações, a ampliação das políticas voltadas para as mulheres do campo, ribeirinhas e quilombolas; moradia digna para população sem teto e moradoras de ocupações; políticas de educação para a diversidade; garantia ao Parto Humanizado; ampliação da oferta dos serviços do Centro Integral da Mulher (CAISM); efetivação do programa de atendimento especializado, no SUS, para as mulheres, a população negra, LGBT e indígenas.

Construído de forma coletiva, o ato do 08 de março em Sergipe envolveu movimentos sociais, partidos e sindicatos: CSP-CONLUTAS, CTB, CUT, SINASEFE, SINDIFISCO, SINDIJUS, SINDIMARKETING, SINDIMINA, SINDIPEMA, SINDIPETRO, SINDISCOSE, SINDUSCOM, SINTESE, SINDASSE, SINTUFS, SENGE, ADUFS, ANDES, SEEB/SE, SEESE, MTST, MST, Resistência, RUA, AMOSERTRANS, Frente Brasil Popular, FETAM, FETASE, FPSM – Frente Povo Sem Medo, MML – Movimento Mulheres de Luta, MMM – Marcha Mundial das Mulheres, MMTR – Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais, MNU – Movimento Negro Unificado , MPA – Movimento dos Pequenos Agricultores, ASA Sergipe, UBM, Auto Organização de Mulheres Negras Rejane Maria, Coletivo Afronte, Coletivo “Ana Montenegro”, Coletivo de Mulheres de Aracaju, Coletivo Olga Benário, Coletivo Quilombo Sergipe – Núcleo Beatriz Nascimento, Coletivo Mulheres Livres, Movimento de Mulheres Camponesas, Movimento das Marisqueiras, Movimento das Catadoras de Mangaba, Movimento Quilombola, EDUCAMPO-SE, Marcha Mundial das Mulheres, Fórum de Mulheres Glorienses, Mulheres do Erukerê, PSOL, PSTU, PT, Sec. de mulheres JPT, Mandato dep. estadual Iran Barbosa, Mandato dep. federal João Daniel e ativistas feministas.

Fonte e foto ascom FETAM

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