15 Dias sem resposta sobre assassinato de Genivaldo de Jesus. Movimento negro segue cobrando punição dos culpados

15 Dias sem resposta sobre assassinato de Genivaldo de Jesus. Movimento negro segue cobrando punição dos culpados
junho 09 12:16 2022

Movimento negro segue cobrando punição dos culpados pelo crime em Umbaúba que chocou a população e teve repercussão internacional

Nesta semana várias pessoas do município de Umbaúba prestaram depoimentos à Polícia Federal a respeito do assassinato de Genivaldo de Jesus Santos, no dia 25 de maio, em uma viatura da Polícia Rodoviária Federal. O acontecimento gerou uma onda de protestos com repercussão nacional e internacional. A última manifestação cobrando justiça pela morte de Genivaldo aconteceu no sábado dia 4 de junho, no município de Umbaúba, contando com os familiares de Genivaldo e a população do município.

A secretária pela Igualdade Racial da Central Única dos Trabalhadores (CUT/SE), Arlete Silva, destacou a importância desta manifestação construída pelo movimento negro em Sergipe, por sindicatos, centrais sindicais e partidos políticos de esquerda.

“Já está acontecendo a apuração do crime. Vamos acompanhar o desenrolar dos acontecimentos e continuar cobrando a devida punição dos responsáveis. A manifestação reafirma a nossa indignação. Não vamos aceitar que este crime bárbaro fique impune como vários outros crimes já praticados contra a população negra de Sergipe”, afirmou Arlete Silva.

Durante o protesto que saiu em caminhada pelas ruas do município, a população de Umbaúba e familiares falaram sobre Genivaldo de Jesus Santos, uma pessoa querida, que sofria de esquizofrenia e era um homem tranquilo. Familiares e amigos expressaram sua indignação diante do assassinato de Genivaldo.

O ex-presidente da CUT Sergipe, professor Dudu, também participou do protesto e denunciou que o professor Ronaldo de Umbaúba e ele próprio estava sendo perseguido após o bloqueio da BR 101 no dia seguinte ao assassinato de Genivaldo de Jesus.

“Fomos perseguidos, mas eu já estou acostumado. Mexer com os poderosos é assim mesmo. Falaram que nós da CUT fomos expulsos de Umbaúba, a resposta está aqui. Os familiares de Genivaldo, as irmãs, os cunhados, primos, estamos todos juntos nesta manifestação como também estávamos juntos no dia do bloqueio. Quem se incomodou com a nossa presença foi um grupo de bolsonaristas que não queria que o povo denunciasse. Esta violência sempre existiu no Brasil, mas piorou depois com este governo. E isso é fazer debate político”, declarou o ex-presidente da CUT Sergipe.

Em meio à repercussão internacional do assassinato de Genivaldo, o movimento negro no Brasil questionou o atual sistema de preparação da Polícia devido aos diversos casos de racismo, homicídio, entre outras violências também registradas durante abordagens policiais.

O assassinato de Genivaldo chama a atenção para a letalidade policial que no Brasil cresceu 190% desde 2013. O pequeno Estado de Sergipe ocupa o 3º lugar no Brasil em que ocorrem mais mortes durante abordagem policial.

Por Iracema Cprso

  Editoria: