100 dias após tragédia, cães farejadores encontraram 70% dos corpos e segmentos

100 dias após tragédia, cães farejadores encontraram 70% dos corpos e segmentos
maio 06 08:14 2019 Imprimir Conteúdo

Bombeiros e cães farejadores de Sergipe localizaram seis segmentos nos últimos 10 dias. 235 mortes foram confirmadas e 35 pessoas seguem desaparecidas

Vários militares e cães farejadores do Corpo de Bombeiros completam neste sábado, 4, 100 dias de buscas na região atingida com o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. Até o momento, 235 mortes foram confirmadas e 35 pessoas seguem desaparecidas. Um total de 70% da localização de vítimas foi feita com a ajuda de cães farejadores.

O Corpo de Bombeiros de Sergipe conta com quatro militares e quatro cães farejadores. O capitão Alysson Carvalho, os sargentos Cleverton Santos e Tiago Garcia e o cabo Antônio Carlos Menezes mal descansam. Os cães farejadores Sniper, Fire, Sanny e Jimmy conseguiram identificar seis segmentos (restos mortais) nos últimos dez dias. O material foi encaminhado para o Instituto de Criminalística de Minas Gerais, onde haverá o procedimento para a identificação das vítimas, através de exame de DNA.

O trabalho é insistente e exige sobremaneira da condição física e emocional do bombeiros e dos animais. Os militares sergipanos acordam às 4h30, alimentam os quatro cães, seguem para o posto de Comando e iniciam as buscas, que duram o dia inteiro. Saem por volta das 17h da área da busca e realizam um procedimento de descontaminação.

No início da noite, há uma reunião para discutir erros, acertos e estratégias, o chamado debriefing. Depois todos seguem para o alojamento, distante 40 minutos da área de buscas. De Aracaju para Brumadinho, foram dois dias de viagem, com todos os cuidados exigidos para o transporte de quatro cães. É um trabalho motivado pelo compromisso profissional, conhecimento técnico e o olhar permanente para familiares, muitos sem perspectivas de enterrar seus entes queridos.

Segundo o capitão BMSE Alysson Carvalho, na sexta-feira (03) foi um dia promissor. “Achamos três segmentos importantes e ficamos felizes, porque é uma resposta a familiares que já tinham poucas perspectivas. A cada dia está mais difícil, porque o número de vítimas diminui e a área é enorme. Mas atuamos com compromisso e nossos quatro cães farejadores fazem um trabalho incansável”, avaliou Carvalho.

O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais afirmou que as buscas serão mantidas. O porta-voz da corporação, tenente Pedro Aihara, voltou a afirmar que as operações de buscas prosseguem por tempo indeterminado. “O compromisso assumido desde o início é de que ficaríamos aqui pelo tempo necessário e que só terminaríamos as operações sob duas hipóteses: encontrarmos todos os desaparecidos ou não haver condições biológicas de avançarmos nas buscas devido ao avançado estágio de decomposição de alguns corpos”. A barragem rompeu em 25 de janeiro.

Até o momento foram feitas cerca de 600 localizações de corpos e segmentos. O total, porém, inclui restos de animais. Até o momento cerca de 40 cães farejadores já atuaram no resgate de corpos em Brumadinho. Há um rodízio para que as condições físicas desses animais sejam preservadas, feito em parceria com outros Estados. Também na sexta-feira, seis cães atuam em Brumadinho, parte do grupo foi enviado de Mato Grosso e Sergipe.

Fonte SSP/SE – Foto: Douglas Magno/ Veja

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